sempre a mulher

Não sei bem o porquê de ter escolhido este parágrafo, ou de ter assumido assim, a culpa, a falta, a carência inteira …, eu como mulher, responsável pelo vazio, pela ausência, pela falta sem entender o porquê me sinto presa, frágil, amarrada numa insônia de amor sem amor. Talvez a chuva,  talvez o incêndio do museu (lá onde a memória queima) no Rio De Janeiro. Talvez a sensação, ou o fim.  Precariedade, morte, doença, não sei.  Sobrevivência. Hoje desceu uma coisa ruim pela garganta, uma falta maior. Se houvesse apenas uma palavra …, um  qualquer coisa, ou se eu pudesse chorar convulsivamente, se eu pudesse chorar …, mas nenhuma lágrima nos olhos, apenas arde por dentro. Nenhuma tristeza que me faça chorar, soluçar, entender. Estou tão completamente sozinha! Como diz Marguerite Duras, serei eu, apenas eu, a responsável por esta carência de amor, por este não desejo? Este não dizer. Não terá tua mão nesta história dura incoerente que me consome no silêncio … Não terás nenhuma responsabilidade? Que noite longa …, que angústia agarrada no meu pescoço! Eu me afogo. Sinto medo. Elizabeth M.B. Mattos – setembro de 2018 – Torres

Que c’ était toujours la femme, toujours, de par son désir à elle, qui devait être responsable du lien des amants. De la permanence du désir de la femme dépendait l´amour, l´histoire, le tout. Quand le désir de la femme cessait, celui de l’ homme cessait de même. Où, s´il ne cessait pas, l`homme devenait miserable, honteux, mortellement atteint, seul.” (p.109) Marguerite Duras  La vie matérielle

 

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