história de amor

História de amor, loucura a dois, a três … De quantos forem os envolvidos, segue sendo loucura, segue sendo amor absolvido tanto quanto tenha sido desvairado, ou complicado. Paixão não é terrena. Transita (como gostamos de usar esta palavra nos dias de hoje!), pelo divino. Transcende ao comum. Alienação irreal. Foge da coerência da lógica. O mais cruel é o gesto cordial. Conciliatório. Paixão é aleatória ao controle. Ninguém exerce lógica. Não há raciocínio no amor. Assim, passado o tempo tempestivo deste amor, a história toda vira conto, anedota açucarada, lenda. Quem lê, quem escuta, faz aquele meio sorriso e diz, bonito! Havemos de pensar com seriedade, afinal, o que significa a exclamação? Nada há de bonito no desespero, no ciúme, naquele sexo ensandecido e voraz, nas mentiras, nos enganos, no tempo roubado.  Mesmo assim sinto uma sádica saudade do amor amado. Descrever, ou colocar em palavra, em discurso coerente, coeso, linha reta parece impossível. Tão repentino e tempestivo, escandalosamente, sentido este amor agora esvaziado, enlutado. Queima despedida e deslocamento, a urgência,. Foi assim que nos amamos, meio ao transtorno todo do proibido. Compulsivamente nos colocamos um a caminho do outro. Não lamento. Elizabeth M.B. Mattos  – sem data, refeito – Torres 2018

 

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