o passado agora – manequins

Num passado distante, todos juntos, tinham vivido uma vida que fazia sentido – mas depois, por algum motivo desconhecido, tinham perdido aquele norte, da mesma forma como perderam a memória. Toda vez que tentavam recuperar aquele sentimento, perdiam -se nos labirintos da memória, infestados de teias de aranha, e vagavam pelas vielas escuras de suas mentes procurando em vão o caminho de volta, sem jamais encontrar a chave de uma vida nova, perdida no poço sem fundo das lembranças; sentiam os tormentos que padecem aqueles que perdem sua casa, seu país, seu passado, sua história. A dor que sentiam por se encontrarem ali perdidos e longe de casa era tão intensa, e tão difícil de suportar, que preferiam desistir de lembrar – se do mistério, do sentido perdido que tinham vindo procurar, e resignavam -se a esperar a passagem da eternidade num silêncio paciente.” (p.226)  Orhan Pamuk  O livro negro

E hoje a verdade se dilui na juventude de amar:

Não queres parceiros viáveis, queres manhãs sedutoras cheias de perigo. 

Não é verdade. Espero/busco o companheiro/amigo que me traga a leveza das manhãs.  Que seja o que não consigo ser. Que me devolva a ordem, o metódico, algumas certezas pequenas, outras inteiras. E me faça rir. No entanto, é verdade: estou habituada a levantar na minha madrugada, dormir no entardecer. Abrir as janela de noite.  Escutar música. Espero tão apenas um carinho, uma voz, uma história, tudo o mais eu já tenho -, que exagero! Claro que não tenho tudo, tenho o necessário, o mínimo e falta tanta coisa, ou nada …, mas não é o caso de enumerar o que não tenho. Ou o que falta. Responsabilidade pendurada de ter ou não ter, acertar ou errar, ter permitido ficar, ou ter fugido. Responsabilidade minha, a vida. Esta vida do jeito que tenho. O necessário cinzento, outras colorido. Sou eu. Quero repartir/dividir a alegria de ser hoje quem sou /  ou rir do que não foi, chorar nos teus olhos. Por que não posso? Sem queixas, com queixas, amuada ou feliz. Ninguém deveria se permitir parar. Vou investigar. Seguir teu conselho. Vou trabalhar. Ousar. Beth Mattos – assim, quando novembro chegar esquecerei a idade de envelhecer, e vou brincar de ciranda. Outubro de 2018

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