sobrevivente

Passados tantos anos a palavra sobrevivente não descreve, confirma.  Da guerra da vida, uma batalha depois de outra. Soterrada, ou no meio da lama, o espanto. Abro um velho Caderno de  Memória -1983, 28 de setembro, Dia da Fundação de Santa Cruz do Sul. “Acordei com foguetes, e festa anunciada pelo rádio, sonolenta. Tinha dormido pouco, já 5 horas da manhã. Ontem fui buscar o telegrama da POSSE, saiu a nomeação para o Concurso do Estado, assinei o ponto na E.E Colégio Estado de Góias. Vou começar a trabalhar no Rio Grande do Sul.” Continuo a ler…  Aos solavancos a vida. Elizabeth Menna Barreto Mattos – 2019 em Torres. Não, não quero transcrever a memória, tenho escrito no Amoras apenas a fantasia do amor, do colorido, mas leio tudo em branco a preto. Talvez a experiência tenha sido mesmo devastadora. Descrever o que acontece a nossa volta é bem mais fácil do que descrever o soterramento de experiências emocionais. Abrindo este caderno dou-me conta que autobiografias são reescritas nas lacunas. Quem diz a verdade?

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