vida oficina, oficina da vida

“A recordação toma pé sobre recordações, que por sua vez buscam incansavelmente outras recordações. E assim ela se assemelha à cebola, que a cada pele retirada expõe coisas que há tempo foram esquecidas, alcançando até mesmo os dentes de leite da infância mais precoce, mas então o fio da faca a leva a um outro objetivo: cortada pele após a pele, ela tange lágrimas que turvam o olhar. ” (p.241) Günter Grass

Vou até Porto Alegre, volto no fim do dia e me deixo ficar duas horas na rodoviária. Vejo pessoas chegarem e saírem apressadas. E por um momento, reconheço na minha fantasia os olhos castanhos, também eles ansiosos. Recuo. Que um dia o telefone toque e desmanche equívocos. Ou…, apenas terei a voz serena e o tempo de explicação pequena e diminuta. “Tu insistes, Beth, em fantasia. Nunca irei a Torres. ” Eu digo três palavras, desligo o telefone. Idade, envelhecido tempo. Energia esfarrapada se fecha. E circunspecto, enterro a menina que insiste. Um beijo, eu respondo. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2019 – Porto Alegre, eu não saberia mesmo o que dizer. Catástrofe!

A CAIXA

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