escorreguei

Passo apertado depois da chuva. Encontrar depressa o outono: frutas, casacos e voltar a tricotar. Uma pacífica taça de chá. Um livro de histórias. Lápis apontados, casa limpa: cheiro  de lavanda nos lençóis. Nenhum atropelo. Ser eu outra vez. E.M.B.Mattos Voltar a fazer uma volta ou duas pela lagoa, olhar o mar.

boa

tempos difíceis

“Vivemos tempos estranhos” é frase repetida em todos os níveis. Tempos confusos, surpreendentes, cada dia uma chateação maior, uma confusão mais elaborada, uma perplexidade mais pungente. ( Ainda bem que nos salvamos com novidades boas: os bebês que nascem, as crianças que começam a trotar naquele encantador jeito só delas, os amigos que recuperam a saúde, a família que se encontra, os amados distantes que se comunicam mais, o flamboyant delirando em vermelhos surreais na rua.) Lya Luft Que tempos, estes! Zero Hora de 25 e 26 de março de 2019

Não consigo pensar, nem ler nem escrever. Viver e respirar, trepidante. Não consigo achar nem isso nem aquilo. Turbulência crescente. A lógica destes personagens escorrega. Há tanto para navegar!

Carta, gente, memória, tempo, mar, silêncio, tinta, lápis e repetições, não são palavras expressivas, mas minhas. Será? Como se escolhe a cor de uma fruta, de um vestido? Um perfume para ser cheiro. Água, luz, escuridão, neblina. E esta escolha se perde porque nunca pensei em palavras, volteios sobre elas. Arandelas! Expressar. Expressivo sorriso escondido que eu vejo nos teus olhos! As palavras se puxam, ou travam com nossa falta de habilidade, ignorância, desconhecimento. Elizabeth M.B. Mattos

adversário

A violência da natureza com seus exageros, gritos e resmungos, estremecimentos ensina aquilo que os homens não conseguem apreender em bancos escolares, nem com a família. Forma cruel para crescer: lágrima, soluço.

Necessidade de construir o futuro, não apenas derrotar o adversário. O oportunismo é uma praga, uma doença virulenta. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2019 – Torres

destruir

Estupefação com o apedrejamento… Não existe mediação, mas ataque. Impressiona como ódio e raiva,  poder e vilania se manifestam. O encontro não é encontrar a si próprio, mas destruir o outro… E convivi pacificamente com este e aquele. Sem inquérito nem crucificação. Em que momento se assume a direita ou a esquerda, encruzilhada definitiva, não apenas um caminho para chegar nas cerejeiras ou nas laranjeiras, ou passar pelas amoreiras, pelo roseiral, mas alimentar diferenças. Tenho lágrimas.  Não deveria ser necessário o inferno. E.M.B. Mattos

registro da memória

alma cansa mais (2018-01-09 19:54)

O corpo resmunga geme inquieto, e se espreguiça no cochilo. Seguiria polindo se apenas ele,o corpo, reclamasse. Mas alguém mais reclama, boceja, cochila e se estica, a alma.  Orgia de amorosa loucura!

Sem noivo, sem casamento, não fui ao Rio de Janeiro. Os cadetes galonados dançam com as moças-debutantes. Paulo Roberto Pegas deveria ter sido meu par, mas… (curiosidade), dançou foi com Suzana. Majestoso acontecimento no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Meus quinze anos eram insuficientes, os vinte anos da irmã, melhores. Não viajei, aquela valsa não dancei. Somos feitos de tantas coisas que não fizemos / apenas sentimos…

…, histórias! O hoje, o momento certo, é agora. Tu dizes que tu me gostas, ou que me sonhas, fantasias…, histórias. Eu me apaixonei pelo amor impossível, e somos nós! Da memória o registro. Elizabeth. M. B. Mattos – março de 2019  Torres. Volta pra mim!

flor

Adoro cor e flor, o jeito deste detalhe, no recorte: o intenso desarrumado em tanta beleza de azul roxo rosa…, e flor. Estas cores! Sim as telas, os jardins a mata pode/tem esta conversa maior sem som, numa vibração ensurdecedora! Adoro! Gosto /quero flores! Elizabeth.M.B. Mattos – março de 2019 – Torres

A imagem pode conter: flor, planta e natureza

choramingo

Olhei tua foto. Sei lá de que data, e me surpreendo com o que estamos a fazer enfiados nos comentários do Amoras, mais ou menos escondidos, mas tens razão, já na rede, os nomes se cruzam. Estremeci. Tens coisas importantes e sérias a fazer. Tens compromissos, convicções. Nos vestimos de meninos e nos esquecemos do tempo. Tu não sabes quem eu sou, nada tenho que lembre a menina…. Fora da realidade. Nem podemos nos  ver / encontrar. O que faríamos de nós dois? Olhei a tua foto. Por um minuto, vivo: carne e osso. E tudo não passa de ficção: texto colorido cinzento, choramingo. O que estamos mesmo a nos dizer? Elizabeth M.B. Mattos – março de 2019 – Torres