perdida

Perdida do livro. Ao acaso o encontrei  no alto da estante, quase invisível.  Peguei a escada, a mais alta, e agarrei o volume. Depois de tantos encontros secretos com Günter Grass, o reencontro. Coisa boa! Amor certo, abraço seguro, voz que me acorda. Aquela fresta engraçada!  Envelhecer espera um pouco mais, hoje estou menina. O volume estava lá a me esperar,  a memória se agita, e com ela a biblioteca de minha mãe. A saudade da rua Vitor Hugo. Elizabeth M.B. Mattos – também sou de Athayde Mattos

o som que faz a música

[…] escreve, fazes isso tão bem!” diz o amado num sopro. E eu me animo, volto para o teclado. Abro a janela, agarro o vento, deixo a chuva entrar. Molho o corpo, também a alma. Doce jeito doce! Eu me sinto acolhida. Palavras,  tua voz paciente. Obrigada. Não sei quando nem como nem se um dia… Justo no momento desanimado da escala! Aquele exercício: vai e vem, e volta. Não é música, nem melodia, mas exercício, e sempre o mesmo. De repente, tua voz, o som! E.M.B. Mattos -março de 2019 – Torres

não é incrível

Não me perguntes o que estou fazendo.  Exercendo o apego, ou tentando me desfazer disso ou daquilo. CÉUS! e encontro o Eu a amava de Anna Gavalda, livro de estréia. E como diz Le Figaro:  Todos temos algo de Gavalda.

” – Não, não é incrível. É a vida. É a vida de quase todo mundo. A gente se esgueira, se acomoda, tem tremores nas pernas feito um animal doméstico. A gente a trata com carinho, a destra, se apega a ela. É a vida. Existem os corajosos e os que acovardam. É tão menos cansativo se acomodar…”  (p.133)

[…] “A vida, mesmo quando você a nega, mesmo quando você dá pouca importância a ela, mesmo quando você recusa admiti -la, ela é mais forte que você. Mais forte que tudo. Pessoas voltaram dos campos de concentração e fizeram outros filhos. Homens e mulheres que foram torturados, que viram morrer os mais próximos e a casa queimar, recomeçaram a correr atrás dos ônibus, a cometar a meteorologia e a casar as filhas. É incrível, mas é assim. A Vida é mais forte que tudo. E além disso, quem somos nós para nos darmos tanta importância? Nós nos agitamos, falamos alto e daí? E por quê? E o que mais, depois?” (p.161)

irado

Perdida de ser eu: na desordem, neste caos! Procuro a chave, o susto, a foto, o bilhete, as folhas… Quase desisto, aguento: durmo, acordo, bebo café e lavo os morangos. Escolhi este jeito encolhido de ser eu. Escorrego. Sinto, ressinto e revejo. Escuto, releio. Penso e repasso. Foi assim, eu sei… Desenhar e colorir. Pontes. Estradas pequenas, outras largas. Horizonte verde, o meu.  É  mosaico. Sou pedaço… deste jeito, sem ser defeito,  jeito. Elizabeth M.B.Mattos – março de 2019 – Torres depois do temporal assustador, furioso a gritar grosso, esbravejar irado! Deu medo! Fiquei criança!
bebê lUIZA

imagem

Há em/para cada pessoa inferno e paraíso particular, é claro! Juntos o Carnaval! A fantasia do outro, a mais engraçada, mais divertida… 2019 se estica! Venham as chuvas!  Somem as palavras… Tempo de segurar a voz, dançar na sombra. E.M.B.Mattos –  março de 2019 a foto importa… Torres

52608620_241792670107738_6689158297888489472_n

resumo

A reforma, o horror de vazar água aqui e ali… Depois, certeza absoluta do silêncio absoluto.  Não. É Carnaval.
Vontade louca de ser eu mesma! Em tempo. Sem pressa. Quero mais e não o menos. E, de repente, o luxo da perfeição está  na subtração… O justo prazer de não ter. A  viagem,  no olhar. Variante singela e transparente. É  brilho.  Reflexo. Não objeto nem pessoa. Sou eu inclinada. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2019 –