70 anos, os teus

1. carta

Saudade nostálgica (é claro) maior do que a idade, a minha, envelheço, já a tua, tão jovem em produção e vida! Acho que este foi um dia dos primeiros, entre outros, de certo, que não lembrei/não lembrarei teu aniversário… Preciso olhar e anotar em todos os calendários o que não pretendo esquecer, assim mesmo! Deve existir um elo, um fio, alguma coisa invisível, mas certa/ justa que une as pessoas, gruda para sempre uma a outra mesmo em tempo distante ou vida apartada/separada/ ou sei lá eu o que acontece…

No dia do teu aniversário eu estava a ler desorganizada e dispersiva, como sou, o livro que traz tua presença… Ri de mim mesma. É preciso rir em algum momento já que estamos a tropeçar em tantas coisas esquisitas!

O carinho nos amarrou, que bom! Tão raro te ver!

Tempo de apostar que amanhã seria sempre fantástico!  Manhãs apressadas, o trabalhar! Que a vida não volta que o tempo também não, e que envelhecemos! Ternura carinho e desencontro! Nada perdido nem esquecido. O carretel… A criança joga o carretel e o fio se estica, quer que a mãe volte e olhe e… , sim, Além do Princípio do Prazer, a reler Freud. Tenho ansiosa inquietação no/sobre o tempo. Pura nostalgia e memória.  Estou rindo! Leio, leio, leio muito. Atrasada comecei a tomar jeito com Guimarães Rosa. O Grande Sertão: Veredas:

“Ah! vai vir um tempo, em que não se usa mais matar gente…Eu já estou velho.

Bom, ia falando: questão, isso que me sovaca… Ah, formei aquela pergunta, para compadre meu Quelemém. Que me respondeu: que por perto do Céu, a gente se alimpou tanto, que todos os feios passados se exalaram de não ser – feito sem-modez de tempo de criança, más-artes. Como a gente não carece de ter remorso do que divulgou no latejo de seus pesadelos de uma noite. Assim que: tosou-se, floreou-se! Ahã. Por isso dito, é que ida para o Céu é demorada. ” (p.47)

Ou

“ […] o mais importante e bonito, do mundo, é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando” (p.48) Tudo na/da 20 Edição Nova Fronteira, 2001 – RJ

Lembro quando o mencionavas, e o desvendavas! Os atrasos! Eu enfiada nos franceses e maravilhada com Gide, Maupassant e Monthertand, Exupéry, lendo Proust aos pedaços, esquecendo os nossos autores. Vês, meu amigo, de tudo tenho saudade! Salada de tantas frutas! E não terminei de escrever. Nunca vou terminar. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2019 – Torres,  Balonismo

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