desordenado real e impetuoso

1.Abro o livro: estou em Buenos Aires.

Pero las inquietudes no siempre nos roen en forma evidente, a menudo quedan agazapadas em um rincón de nuestro ser sin duda porque las tenemos presas, paralisadas, agarrotadas, amortazadas, para impedir que interrunoan el curso de nuestra felicidade. ” (p.57) Silvina Bullrich Los Pasajeros del JardÍn

Em Buenos Aires a caminhar pelas livrarias: elas se escondem em porões fantásticos, ou envidraçadas esquinas monumentais: variedade estonteantes de livros. As casas de chá de um charme e encanto irresistível. Sento e escolho doces, os aromas desenham minha fantasia, eu me sinto única, especial. Não sei quantos dias passaremos na cidade. Marco trabalha o dia inteiro. Procuro ter como referência o Claridge Hotel, eles me cuidam, guardam os pacotes e me surpreendem atentos a explicar o horário que devo voltar. Assim, a distância, sou vigiada. E mimada.

Naquele tempo naquela hora naqueles dias eu senti felicidade: estado natural de vida. As vitrines me seduziam, a beleza tinha o formato da cidade. Certamente, eu a escolheria para morar. Marco tem os olhos azuis e a gentileza peculiar aos seres amorosos. Sabemos rir um do outro,e nos surpreendemos com a música, com as nossas leituras misturadas. Eu me atrapalho com o italiano, e ele não fala francês. O português, uma ponte delicada e o espanhol nossa fantasia. Universo tão particular! Somos jovens e amar a única via possível: encantamento. Os livros enchem as sacolas. E as misteriosas livrarias com piano flautas e violinos a oferecer concertos nos enfeitiçam. Convite ao sensorial. Caminhamos pelos tapetes macios com o cuidado. As conversas sussurrantes nos fazem sorrir. Desconfio que o grande luxo se chama juventude. Bom humor e encanto. Explico encanto com o sorriso natural para a pequena flor do acaso, o luxo da vitrine, o livro procurado/encontrado, a elegância cuidada que o inverno exige. Alguns anos depois voltei a Buenos Aires com FT e foi tão misteriosamente escuso cinzento! Nem as frutas tinham o mesmo gosto. E os lençóis não eram perfumados.

Uma cidade reflete alma alegria e leveza. Em Buenos Aires o sonho pode ser pesadelo. E nem fui visitar o Ernesto Sábato, expectativa verdadeira…falsos acenos e fantasias atrapalhadas!

Cada art tiene sus objetivos y sus limites. Y, cosa extrãna, essas limitaciones no constituem uma debilitad sino uma fureza, del mismo modo que para empujar um mueble nos apoyamos em algo que resista. ” (p.41) Ernesto Sabato El Escritor y sus Fantasmas

O amor empresta liberdade colorida. Portas abertas e este descompromisso com amarras porque sem sombra de dúvida, os abraços e os beijos importam muito mais, e o colorido da exposição se integra com a juventude e a pureza. A cada detalhe uma surpresa prazerosa. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2019 – Torres

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