um eu versus outro eu

Amós Oz -, entrando na Saraiva, tanto para escolher! Vários livros na mão: comprei apenas este, conversa com Shira Hadad  Do que é feita a maçã – seis conversas sobre amor, culpa e outros prazeres.

Olhar tocar conversar estar, tão melhor do que ter! E logo vou caminhando em direção a juventude, ao passado, ao outro, vou me procurar no outro. E reencontro fica/é/permanece gozo contínuo. Um amigo me escreve / diz coisa linda / bonita / amorosamente generosa, e eu choro. Lembro tão bem do impacto da morte. E tanto tempo no tempo! Fiquei extremamente abalada e chorei. Depois, mais tarde, perdi outros amigos, perdi…, perdemos,  e não choramos, entristecemos, mas não choramos derramando tanta lágrima. Vamos ficando para trás… Sofremos perdas de outro jeito. Terrível saber do tempo, da contagem, do que não dissemos, não diremos.

Estou sempre a imaginar como seria te encontrar, olhar no olhar agora que já não és mais o menino que eras (o da minha memória), e não podemos nos reconhecer…

E Amós Oz escreve no livro que comprei na Saraiva sobre personagens de um dos seus livros: “[…] Simplesmente eu não sabia o que ia acontecer entre os dois. Sabia o que de forma alguma poderia acontecer. […] Para onde iriam?  O que ele ia dizer a ela? Como ia dizer? O que ela ia perguntar a ele? Tocariam um no outro? Como? quando? O que posso fazer com eles? E se nada acontecer entre eles, como escrever isso? Talvez a coisa difícil de escrever seja uma cena em que um homem deseja e uma mulher é desejada, ou até mesmo em que um homem e uma mulher se desejam, mas nada acontece entre eles. Nada. Entendi que eu não seria capaz de escrever isso. Não os estava enxergando. Como se os dois estivessem juntos no quarto, mas apagaram a luz e pronto. Não estou enxergando nada.” (p.29)

Por que transcrevo isso? Talvez por sentir que embora o tempo passe, mesmo na curva do tempo a envelhecer e perder os pedaços da ilusão, fechar as portas, deixar de ouvir, ou de esperar seguimos a espera da cena de amor quando um homem e uma mulher se encontram…, quando o amor grita, quando estar na vida  é  apenas estar no outro. Escrever e ler é o jogo da magia. Estou contigo, embora o tempo não devolva teu cheiro nem tua voz, tudo imaginação… Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2019 – Torres

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