o sonho me acordou…

Eduardo / Edu: meio da noite: 15/06/2019 03:18 – sonho – ou pesadelo me acordou. Vamos ver se consigo te contar do ciúme, ou da displicência indiferente deste encontro. Aparentemente casual, mas significativo porque eu, afinal, tinha ido ao teu encontro. Estavas / era uma nave espacial estacionada na terra, tombada num terreno. Poderia ser abandonada porque uma terra sem árvores imensa, enorme, mas com vizinhos. Outras naves, não sei. Tudo tão enorme! Contigo, mais dois pesquisadores, amigos, companheiros de trabalho, de vida, não sei. Vocês falavam inglês e eu não compreendo, apenas me mortifico na minha ignorância absoluta. Mal enjambrada, cabelos muito compridos presos num coque mal feito, esfiapado, eu parecia estar à vontade, descalça inspecionando tudo, mas com certo ar ausente. Seria arrogância? Indiferença? Descaso mesmo, desprendimento? Um sentimento armadura que me é particular. Devo ter saído por alguns minutos. Inspecionar era a intenção / vontade, embora não falasse, apenas observava, absorvia o ambiente ordenado de vocês, e, de certo modo, já me sentia nas estrelas, as tuas estrelas / universo espacial ou perto de marte, pousada na lua, ou na própria NASA. Molhada: caiu uma pancada de chuva grossa durante minha inspeção no quintal daquele céu… Entrei / voltei eufórica e caminhei ao teu encontro. Um dos teus amigos / camarada / colega disse: Cuidado! E me pegou pelo braço. Eu me espantei, levantei os olhos e vi mais alguém, ou uma intimidade proibida a ser resguardada, um olhar indiscreto, o meu. Fui me sentar bem no outro canto constrangido, impotente. Comecei a encolher. Vejo uma moça bonita, lenço amarrado no pescoço, lábios bem vermelhos, cabelo curto, olhar sereno, bem vestida e conversando contigo num inglês bem à vontade. Envolvida e alegre. Fiquei transparente, ela não me olhou / notou. Meu jeans rasgado (destes que aparentam última moda, mas, frouxo, e a camiseta preta masculina, na verdade bem velhos) ficou ainda mais rasgado. Segui te cercando com os olhos. Pela primeira vez senti o homem desejável. Poderia ser companheiro, e senti bastante ciúmes. Não eras meu, nunca serias, mãos vazias. Pela primeira vez eu me vi / senti seduzida e rejeitada. Quis /desejei ser um polvo gigante para te levar ao fundo do mar. Teu olhar entrou afiado e me atravessou sem nenhuma gentileza. Foi rápido. A chuva parou de chover, e o espaço diminuiu. Numa cortesia fria /gelada estendeste o casaco e pegaste a sacola jogada, desastradamente, em cima de tua mesa. Sem fala enfiei os braços naquele mecânico abraço, e parei. Nas pontas dos pés estiquei meu corpo e te beijei. Beijo demorado investigativo, curioso e longo. Estavas entregue, por um segundo de minuto, o que posso saber? Imóvel. Fui eu que caminhei na tua boca. E teu cheiro chegou nas minhas narinas. Estranho e poderoso beijo. Não me abraçaste. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2019 – Torres

P.S. Talvez a ausência de tuas chamadas telefônicas me materializou em sonho. E a verdade esteja dentro das nossas cabeças. A tua neste céu estrelado. Na terra promissora. Nos avanços. A minha consumida por uma realidade pequena e assustada. A obra necessária e tumultuada de um banheiro me levou para a guerra. O dia se fecha num cotidiano comezinho e pequeno, o meu restrito universo me deixa neste poço escuro. Encontro particular este. Tu com outra mulher, e teus amigos estupefatos. O lugar era limpo ordenado, deves seguir trabalhando no livro legado que escreves, não em espanhol, em inglês, é claro.

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