desordem

Estranho efeito! Desordem no espelho: tudo fora do lugar num descuido completo e preguiçoso. Um dia azul verde  enrolado no xadrez  do xale macio de um inverno que, talvez, aponte. Os pés em meias de lá. A pele macia e doce sustenta / conversa com o imponderável. Se estamos vivos tudo é possível, inclusive, sentir doer, perder os pedaços porque envelhecemos. Somos parte deste todo que se despedaça, sem referência, apenas se despedaça… livro de iberê e danúbio.jpgEscreve Danúbio no seu livro SER OU NÃO SER ARTE (p.61) : “Vicent nasceu morto. Irmão  homônimo  do pintor Van Gogh,  esperança para a família,  herança  nominal de um esperado vencedor. O cognome maldito pesaria como traumática cobrança.  Recusado como homem e artista. Fracassado.” E transcreve de Vincent escrita no hospício de Arles para a irmã Wilhelmine. ‘Se eu tivesse elevado minha voz desde o começo,  em vez de me calar em todas as línguas do mundo!’  Segue: Arrependimento do pintor. Van Gogh  vendedor de objetos de arte,  Van Gogh pregador religioso,  Van Gogh socorrendo a mineiros explorados no Borinage,  Van Gogh aprendiz desenhista,  Van Gogh apaixonado frustrado,  Van Gogh sustentado pelo irmão,  Van Gogh mutilado, Van Gogh internado no hospício  de Arles,  Van Gogh apedrejado e batido pelos intrusos antropófagos, Van Gogh suicidado pela sociedade. A carta: ‘É   muito provável  que eu ainda venha a sofrer muito. E,  para lhe dizer a verdade,  isso não me agrada, pois em hipótese alguma eu desejaria uma carreira de mártir. Porque sempre procurei algo diferente do heroísmo, que não tenho, que evidentemente admiro  em outros, mas lhe repito, não acredito que seja meu dever ou meu ideal.’.

Releio este e aquele livro para agarrar este sol de hoje, porque tudo é dolorido. Despedaçado. Uma sequência de perdas. É constatação, e de repente, preciso do heroísmo. Agarrar o cotidiano / segurar a vela da jangada mesmo que as lágrimas e os soluços me sufoquem. Envelhecer: um relâmpago de lucidez. Insperado, ligeiro / passageiro. Como um sonho? Desejo, confiança na voz do soluço… Saudade. Saudade do teu urgente dizer! Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2019 – Torres

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