óbvio

Pensei, reli, repassei até onde foi possível reler. Pensei: estou sem escudo, desarmada. Repassei o teu alerta da exposição, do óbvio. Enfim! Daquele nada que a fragilidade produz, e deste pedido/grito de socorro ingênuo e evidente. Um amado, homem certo para me entregar, e não sei como fazer. Deu vontade de chorar. Tens razão, tudo o que precisamos é calma e de …, pois é. Três pontinhos: não existes. Não tenho tudo o que preciso, nem poderia ter. Existem crateras internas. Não adianta …, esta proteção (falsa) e esta fragilidade (real) estarão dentro de mim. Tantos quantos forem as manhãs de amor saciado. Não terei manhãs sedutoras, eu moro bem longe do perigo, estou numa ilha. Difícil acesso.

Espero atada / amarrada. E me dou conta que não existes, não chegaste.  Não posso te querer, nem ousar nem sentir medo, nem olhar, nem não querer. Vês. Eu me arrebento antes, antes… Antes de poder compreender.

Depois entendi o motivo de escreveres. Ficaria furiosa frustrada (talvez) se o sonho desaparecesse de repente. Se o mito desparecesse e surgisse um nada no lugar, um amontoado de palavras. Talvez eu quisesse te ver para te dizer / e ou mostrar o quanto envelheci exausta, e que foi sempre ilusão. Chorar um pouco o que falta chorar, se é que ainda sei …, pois é. Não sei. Depois de tanta juventude, desencontro sem voz nem gesto, um agora tão íntimo digital. Obrigada não quer dizer nada, o que eu gostaria de sentir seria um abraço. Um estremecimento. Não tenho certeza se sei dar um abraço. Ou pensei penso talvez não importe mais. Precisava te dizer, já que não vamos mesmo nos encontrar nem na rodoviária, nem em casa, nem tomar um café, nem na calçada, em lugar nenhum. Parece tão tarde! Mas se tu me pedisses, eu iria até o meio do caminho para te olhar, mesmo que não pudesse falar, nem te tocar. 21/06/2019 05:54 e também te estremecer (sorrindo) se pudesse.

P.S.  “Não queres parceiros viáveis -, queres manhãs sedutoras – cheias de perigo”.

Retiraste do meu vocabulário o exausta e o cansada. Fiz a correção. Eu te pergunto: O que faço agora insone e…  E assim, sem rumo? Pois é, antes eu estava exausta e cansada, mas numa quietude confortável a inventar desencontros. E agora? Volta. Atende ao telefone.

P.S.

Não tenho intenção de ser irônica. É isso mesmo que quero dizer. A frase quer dizer isso mesmo que já disse. Estou/sou velha, e não vou me apaixonar. Não tenho mais tempo para dizer o que não quero dizer. Ou fazer o que, absolutamente, não quero fazer.

O certo é um limão cortado ao meio, gelo, água. Vou beber água com mais limão. E entender o silêncio. Vou pegar o ônibus da meia noite. Mais silencio. E não vou emagrecer. É tarde. Não vou me apaixonar, e você sabe o motivo. Vou chorar um pouco. E tu não virás ao meu encontro.  Assim mesmo eu te espero: vício de te amar. Elizabeth M.B.Mattos – junho de 2019 – Torres

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