oitenta anos

Estes setenta anos apontam estranhados / estranhados. Será que vou crescer aos oitenta? E já me visto / vejo/e me sinto de princesa. Remexo os velhos discos de vinil: Jacques Brel, Gainsbour, Jean Ferrat, Sacha Distel, Catherine Sauvage, Georges Brassens, Léo Ferré, Françoise Hardy, e a voz de Aznavour, Piaf. Todos esquecidos, escondidos dentro de mim.  E eu volto. Já estou no teclado escrevendo, escrevendo e escrevendo. Ouço o meu francês, e penso no meu norueguês. Levanto a cabeça. Não sei por onde começar. A leitura da autobiografia de Karl Ove Knausgard me desafia, alucina, e já vai terminar. Fico então uma semana, dez dias para ler oito páginas…. Adormeço no sonho de escrever. Adormeço contigo. E os pincéis, a tela em branco, ou o desenho rabiscado no caderno… A fotografia. Atrás de tudo está o olhar. Depois cheiro, tato, ouvido, gosto e a vontade. Atmosfera. Vontade domina. Existe um trilho amigo, existe a inquietude esquisita. Estás na distância, comigo, eu sinto. Alegria quente desta primavera, quase verão que se anuncia em agosto… Quase setembro. Vontade tímida tropeça, e segue a tua procura. Vamos escutar os chansonniers. Estou tentando voltar; estende tua mão. Escutei tua voz. E teu beijo me acorda, meu querido. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2019 – Torres

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