Lenta, muito lenta esta memória

Tudo lento. Nada revirado neste ritmo inquieto e agitado, ou melhor, pronto ao duelo para ser um pouco mais, ou seguir impaciente, ser menos. Questiono. Vou a prova dos nove, ou melhor, já fiz, já brinquei na álgebra, e parei, não sei mais fazer conta…

Não estudei.  Nem matemática nem latim, muito menos história. Geografia? Em que fresta do mundo eu me enfiei e consegui abrir o sol, nem levantei nuvens, não fiz chover. Vou dizendo sem dizer indignada, consternada.

Nem o mais simples. Congelo, mesmo apressada…  Hoje fiz um bolo. O gosto. Bem, gosto de bolo, eu acho. Não embatumou, nem desandou, vingou, se fez bolo (risos), não tem / não ficou com aquele gosto divino (sorrindo), nem a leveza, nem o encanto do bolo saído do forno em forma mágica a se desmanchar na boca…

Ficou bolo, ora! Amanhã vou testar panquecas. Adoro panquecas! Carne, espinafre, ou de banana, ou de goiabada. Panquecas cobertas com queijo, molho de tomate feito ali na hora: manteiga, alho, cebola, cheiro verde, cheiro perfumado de cozinha. Frango assado, dourado. Rosbife, cebolas carameladas. Perdizes ao molho pardo.  Ou guisado, ovos cozidos, farofa e arroz com passas. Ou sem passas, arroz solto, feito na hora, em boa hora. Aos perfumes da cozinha, um brinde! Tudo/ ou muito temperado com vinho. Água da fonte se fonte nós tivéssemos, boa água. Ou uma picanha. Não sei. Juro que não estou com fome. Imagino agora as frutas: laranjas em pirâmides, bananas (sempre temos), abacate, talvez cerejas se pudéssemos, os pêssegos chegam com as uvas no verão. Limões amarelos (perfumados) e verdes.

Agora consternada! Estranha realidade! Consternada a pensar na entrevista exaustiva de ontem (televisionada), ou antes de ontem. Não importa mais. Os óbvios. E somos o submundo do mundo incauto vingativo, enlouquecido. Vida torcida. Solitários em cavernas escuras, nem tão escuras! Luz da tela, televisão, ao gosto… Qual gosto? Francês, americano, inglês, nacional, caipira, capitalista, metropolitano, populista ou remediado, conforme o orçamento doméstico. Inculto, superior. Preparado. Estamos paramentados para qual específica guerra? Eu e meu bolo mais ou menos, minhas conversas intercortadas, meu sono vigiado. E a ciranda da calçada esvaziada pelo frio: pássaros. Não posso divagar. Tenho que ir andando a caminhar muito, muito e muito devagar. Buracos. Apesar da lua do sol, dos amigos dos amantes e dos filhos, das estrelas e dos livros…

Tropeço estabanada. Aonde se esconde a boa memória? Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2019 – Torres

Não posso, não quero e não vou.”

Ainda pergunto o porquê. Sedução: misteriosa e instigante. Passageiro / passageira, ficamos, eu e tu, tu e eu no mesmo lugar: tu no lado certo, intrigado com os olhos azuis da Lucila, eu distraída, sem ver o olhar a dançar na alegria segura dos emblemáticos 17 anos, e era verão. Era Torres. Ano de ser rainha… Verdade.

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