sujeito / o eu somos nós

Escrever agarra/ traz de volta um pedaço de história, ou estória, deixa rasgado / lido / definitivo. Eu não dou conta do meu dia, logo me perco na manhã agitada por afazeres domésticos. Escuto na calçada risadas, “não”, “deixa”, “depois” eles se agitam ao sol, concluo: dois meninos e uma menina, sempre demais, e o inverso, duas meninas e dois meninos. Eles falam/gritam alto nas risadas, ao sol. Um adulto uma adolescente, um adolescente uma criança, um velho e um bebê: o mundo me escandaliza, ou sou eu o excesso de sol – de noite. Excesso de silêncio. Silêncio como cobertor quente de carinho quando o frio se faz frio.

Como meu pai lês História: o prazer. Pode ser Os Sertões de Euclydes da Cunha a descrever o gaúcho: “Desperta para a vida amando a natureza deslumbrante que o aviventa; e passa pela vida, aventureiro, jovial, diserto, valente, fanfarrão, despreocupado, tendo o trabalho como uma diversão que lhe permite as ‘disparadas’, tomando distancias, nas pastagens planas, tendo aos ombros, palpitando aos ventos, o pala inseparável, como flâmula festivamente agitada.” Não resisti citar este trecho por ele sublinhado num contraponto com a  a terra, o homem (p.80) / gaúcho (p.117), o vaqueiro (p.118). Tão pouco sabemos da terra! Da geografia, de história. Tu te adiantas. Com certeza certa / certamente, vais riscando, assinalando e redesenhando a cada nova versão (antes estudada) um fato novo evidente, ou fantasioso ou objetivo na subjetividade do historiador (que anota / narra/ pesquisa). Lês história, como eu leio romances: desenhas personagens. São novelas, ou contos ou narrativas de dentro. De certo a alma destes objetivos encontros históricos que lês e relês (a cada versão um detalhe), recolhes personagens / ou almas. Qualquer coisa descritível que existe no ser humano / nas pessoas, e nas novelas. Alguém dita / escreve / retoma / fotografa / filma a nossa História. Romances desenham o espírito quando este se materializa / voeja / e caminha. Grandes narrativas de Proust, Joyce, Musil ou Mellville travam batalhas e conquistas, avanços ou derrotas. Viajas na geografia, entras em naves espaciais, estarás noutros planetas muito antes… Assim mesmo te recomendo as novelas, quase  narrativa / conto nestes pequenos volumes: A casa de Papel  de Carlos María Domínguez, O jantar de Herman Koch  e A Lista de Jennifer Tremblay. De repente eles são uma pista, meu amigo. Elizabeth M.B. Mattos – juulho de 2019 – Torres

 

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