ainda, de novo, sempre

Posso deixar de entender, aceitar o que acontece tão devagar, o momento de ser parece apertado e insipiente. Esgotado!? Não desejo/não quero sentir assim. Prefiro a leveza confiante espontânea, abraçada, despida de intenção. Lisa. O frio não pode se instalar na soleira do verão. O sol se atrasa, a chuva se excede, eu me atrapalho. O vento grita tanto e tanto que eu o vejo em perigo nesta força sem controle. Não quero descrever o tempo. Quero chegar no teu abraço, no teu olhar surpreendido porque envelheço dentro da minha juventude a transbordar. Meu querido, não consegui te esperar colorida! Estou debruçada na angustia azul, ligeira da nossa fantasia… Fecho um dia no outro. Antes, ordeno e limpo (uma doença como outra qualquer!), os armários, as gavetas, os vidros. Encero as lajotas. Aqueço o corpo e me escondo no amontoado de cobertas coloridas, todas. É verão, tu me dizes. Eu não sei, respondo. Carrego outra estação nas mãos. Imagino que estejas distraído a caminhar pelo campo com os cães, ou a colher as flores, e aquelas frutas azuis… Gosto de te espiar indo e vindo, voltando. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2019 – Torres

Você passa tanto tempo respeitando, que não sobra tempo para pensar.” (p.105)  J.M. Coetzee Elizabeth Costello

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