perigo

“Nas horas de perigo, a vontade de ainda ter esperanças fica imensa” (p.202) A citação se refere a Primeira Guerra Mundial.

“O primeiro susto causado pela guerra que ninguém queria, nem os povos, nem os governos, essa guerra que havia escapulido sem querer das mãos desajeitadas dos diplomatas que brincavam e blefavam com ela, transformara – se num repentino entusiasmo.” (p.203)

Esse vagalhão se precipitou com tanta força e tão de repente sobre a humanidade que, cobrindo a superfície de espuma, fez subir à tona os escuros impulsos e instintos inconscientes do animal-homem – o que Freud chamou com perspicácia de aversão à civilização, o desejo de romper com o mundo das leis e dos parágrafos e de pôr para fora os antiquíssimos instintos sanguinários. Quem sabe essas forças ocultas também fizessem parte daquela louca ebriedade em que tudo se misturava: o prazer do sacrifício e o álcool, o desejo de aventura e a credulidade excessiva, a velha magia das bandeiras e das palavras patrióticas – essa ebriedade sinistra de minhões, que palavras mal conseguem descrever e que por um momento conferiu ao maior crime do nosso tempo um impulso violento e quase arrebatador.” (p.204) Stefan Zweig  Autobiografia: o mundo de ontem

Eu me excedo em transcrições. Tanto ou tudo foi escrito com tal precisão e perfeição! Sou a repetição em versão narcisa. Palavras me assustam. Sou, irremediavelmente, a mesma, heroína. A conversa tropeça e cai na rede de pequenas histórias. Amorosas, as melhores/maiores margaridas desfolhadas do jardim: únicas e íntimas. As melhores.

De guerra, ou gritaria, de prisão ou julgamento, teatro/palco/exposição. Sobrevivente sim. Não de doença ou quase morte. Ou de amor e de ódio, ou desencontros. Sobrevivente da vida ela mesma enquanto vida /viva. Da vida ela mesma no seu balanço… Cada texto um leitura. Ou releitura. O recorte é aberto: como/onde quiser. Ao gosto e ao desgosto.

Pintores pendurados nas escadas e na música de vozes invadem a minha sala. O dia seguinte, a festa. O edifício veste roupa nova. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2019 – Torres com ventania  sem cor, neste novembro de frio, num arrepio de fim de ano terminando.

20Freud

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