fúria do amor

Não há como se defender dele, quando chega, toma a casa; a amada para o amado e esse para ela são o Deus verdadeiro” Paulo Hecker Filho afirma, apresentação  de  A Celestina de  Fernando de Rojas […] ” E o amor só quer o amor; recusa não se completar sexualmente. […] a obra é uma reprimenda aos enamorados, embora toda ela diga sim ao amor. E o ao amor que existe, não o que se sonha, o amor falível, na dependência de mentiras, situação social, dinheiro, ameaçado pelo acasos e os riscos de estar vivo.”

Despedida completa: da fantasia para a vida real. Vez que outra me reconheço num olhar, e ali mora o perigo, ou a vida. Também nas palavras e no gesto. E volto ao Francisco Brennand e seu derradeiro esforço de fechar o círculo com o Diário – O Nome do Livro. Deixa um rastro de aprendizado/esforço e genialidade. E claro, se espicaça em relações e em citações: “O certo é que a carne é um luxo, inspirando cobiças ameaçadoras, daí porque é tão difícil abordar esse tema com sucesso, pois a maior parte das vezes acabamos dominados pelo convencional por medo do abismo. […] Uma vez mais me desligo e volto atrás. A retratação é a seguinte: não é absolutamente verdadeiro que as leituras de juventude sejam mais completas e eficientes do que aquelas realizadas na maturidade ou mesmo na velhice. Espero muito em breve abordar o assunto com mais precisão.  Tanto como eu, o pobre conde Tolstói esteve envolvido  numa luta sem fim com as mulheres: ‘Nenhuma bulha, mas tudo é anormal e angustioso. Sem calma’.” (p.280)

Amanhece. Preciso voltar a dormir. Os passarinhos acordaram. O cinzento da manhã se veste de branco, deve ser o esforço de purificação. O dia se acorda e o laborioso se inflama: tanto a ser feito! Não terminei de dobrar as roupas, nem de levar a louça, nem terminei a leitura. Camille Claudel grita e desespera na liberdade de amar Rodin. Carta de Camille: “…é realmente forte demais!… E me condenar a prisão perpétua para que eu não reclame! 

Tudo isso no fundo sai do cérebro de Rodin. Ele só tinha uma ideia, a de que ele morrendo eu tomasse impulso como artista e me tornasse maior do que ele: ele precisava manter – me em suas garras depois de morto, como em vida. Era preciso que eu fosse infeliz com ele morto como o fui com ele vivo. Ele venceu em tudo, ponto por ponto, pois, quanto a ser infeliz, de fato o sou!… Eu me aborreço muito com esta…escravidão..” (Carta do Asilo, p. 317) Anne Delbée Camille Cladel, uma mulher

 

 

2 comentários sobre “fúria do amor

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s