A Leste do Sol e a Oeste da Lua

Este lugar existe, estou acomodada nele. Acordo com o sol deslumbrado. Eu me vejo no espelho deste tempo longo, esticado… E me dou conta que não existe ninguém, nem mesmo na sombra da minha imaginação, não importa. Fico invisível! Se arrumo os cabelos, se o vestido se ajusta, e ou as unhas perfeitas feitas, igual desapareço. Não existe ninguém, imaginar não faz sentido,  imaginar é fugir. Longa e ajustada despedida do que foi… A música! Existem os contos / histórias… Esta sou eu. Beth Mattos em dezembro de 2019, em Torres.

A leste do sol e a oeste da lua. A localização geográfica sugere um reino sobrenatural, uma região misteriosa distinta da realidade cotidiana, especialmente porque o sol nasce no leste. “Era uma vez um camponês muito pobre. Seus filhos eram tantos que ele não tinham nem roupa bastante para lhes dar. Todos eram crianças bonitas, mas a mais bonita era a filha caçula, que era de uma beleza infinita. Em muitos contos de fadas a beleza de uma das filhas encerra a promessa de atenuar a situação econômica angustiante de uma família.”

E o peso da urgência pode ser desesperador. A beleza pode ser a marca de uma gorda infelicidade que se espalha preguiçosa, e depois, inútil. Não é assim?

“Numa noite de quinta-feira, quando o outona já ia tarde, o tempo estava tempestuoso e uma escuridão pavorosa reinava lá fora. Apartada do mundo, trancada nesta escuridão, os sonhos nos acordam e a surpresa da vida me agarra. A chuva caía com tanta força e o vento soprava tão furiosamente que as paredes da cabana tremiam. Todos estavam sentados ao pé do fogo, ocupados com uma coisa ou outra. Foi então que, de repente, ouviram – se três pancadinhas na janela. Assim como o sete, o três é um número privilegiado nos contos de fadas: três porquinhos, três ursos, três tarefas e, neste caso, três pancadinhas na vidraça. […] Quer me dar sua filha mais nova em casamento? Se o fizer, torná – lo – ei tão rico quanto agora é pobre,…Ogros e pretendentes animais sempre almejam a caçula das três filhas, talvez porque, num tempo passado, a mais jovem numa família era, com toda probabilidade, a mais atraente, já que as irmãs mais velhas disponíveis geralmente não tinham conseguido se casar, por uma razão ou por outra.”

E o estranhamente destas narrativas dos contos repetem a vida / indicam a trilha. Estes malfadados e desastrosos casamentos que roubam as possibilidades de aventurar-se na vida. Velha, desesperançada deste / neste tempo de envelhecer dou -me conta que esta tal desperança sempre existiu, dentro ou fora. Casamentos e fazer audaciosos. Construir e produzir me atropelou do mesmo jeito. Queremos no sonho o impossível do querer.  Estou a ler contos de fadas. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2019 – ainda em Torres

Este conto norueguês foi publicado pela primeira vez em inglês em 1849. Uma variante de A Bela e a Fera, foi inspirado  por Eros e Psique. Longo e cheio de voltas não poderia transcrevê – lo. Apenas deixar a vontade de viajar nos detalhes e percalços do amor. A Leste do Sol e a Oeste da Lua  foi escrito por Peter Christen Asbjornsen e Jorgen Moe2019-04-27 20.13.01.jpgcapa das histórias

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