Danúbio Gonçalves

Uma carta perdida / encontrada. Velho amigo! Furioso com meu velho amor, e amigos. A gritar com força, a sacudir tudo, e… Cores / tintas / cizel / cartas e tentativas.

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Fantástica carta de 1998: o amigo a se preocupar com meu apego escabelado por F.T. e com a minha raiva. Eu acrescentaria: uma certa fúria após rompimento, e meu ciúme. O rompante e o sentimento abertos, expostos, tão meus! Mas os convites para beber chá, reencontro, idas aos autógrafos e voltas, também meus, se perderam no tempo. Danúbio acompanhou de perto. Quixotesco gostei. Hipnotizada também. Será que ele foi o meu Édipo? Talvez. E todos encerrados na minha jaula foi verdade. Tendemos a usar o nós no lugar do eu. Passei eternos meses, anos a farejar o mesmo amado amor. Cita Paulo Hecker Filho também não gostava daquele tema repetitivo e atolado de tanto e despejado amor. Céus! Será que ainda estou agarrada nesta espera, neste tardio entardecer? Não. acho que abri portas, mas, de certo, ninguém acreditou. Salvo o Gustavo que me trouxe de volta. E desapareceu. Eu estava com ele na travessia, tenho certeza. Depois, na carta, Danúbio me sacode forte, tão forte que amordaça textos, sentimentos, e me acusa de julgamentos esquisitos. Eram as raivas soltas? Espicaça tudo. O Paulo era dono da literatura, com certeza. A ele recorriam para o veredito. Dizia a verdade, o meu amigo. Engraçado! Iberê Camargo, Danúbio Gonçalves, Paulo Heker Filho, e Flávio Tavares. Presentes, ainda hoje. Não desapareceram.  Ter me refugiado em frente a Ilha dos Lobos foi a mágica certa. O retorno aos verões da infância. O apartamento da rua José Picoral, 117 e suas sacadas embalaram tempo precioso, frente ao mar. E a vida deu respostas. Cartas. Telefonemas, amigos que vieram e foram… Estão. Se Danúbio estivesse vivo! Tanto a conversar! Sim, é verdade , nunca escrevi sobre os alunos, nem das Escolas Estaduais, nem da Ulbra, nem das aulas de francês. Nem dos filhos, nem dos maridos, apenas do amado / sobre o amado eu escrevia. Hoje diferente. Passados tantos anos quantas ElizaBeths apareceram / desapareceram e voltaram!  Histórias passadas viraram estórias apesar dos sustos e das esperas. Ele tem razão, não existe eternidade no amor, mas céus! Algumas grosserias! Que praia radical! Não sou artista. Ás vezes, certas loucuras apelativas de sexo e violência os atrai. Danúbio é bem ele mesmo nesta carta. Se desnuda ao querer me sacudir para escrever / dizer. Ah! Fico contida,  presa pela ideia de um dia ser / talvez / quem sabe…  Ser, suficientemente, corajosa para desnudar – me. Estou pelas beiradas, depois, não acredito que as palavras resolvam; os pincéis gritam mais fortes, e definitivos. Acredito na cor, também no cheiro, também nas vozes, e nas confissões.  Não basta o taleto, ele tem razão. É preciso chegar do outro lado. E para isso há que  acontecer o leitor, o olhar, o dizer e a liberdade! Derramar o fel, o amor, o medo, e a conciliação com o antes e com o agora a espiar o amanhã. Tenho que encontrar o final da carta, a página seguinte… Deveria ter apagado o o ofensivo…, mas ele dá conselhos importantes/necessários aos artistas. Que seja parte do desnudamento. Elizabeth M.B. Mattos janeiro de 2020 – Torres Arquivar fobias  também é bom! Haja! Céus! Cartas podem assustar! Pronto, eu fui mais ou menos corajosa!?2020-01-02 01.09.23.jpg

 

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