Tereza

A sala menor, embora todas as janelas estejam abertas o sentimento de apertado, estreito, sufocante se faz maior. A sala grande é o olhar arregalado de Tereza. A sala em desordem. As vozes apertadas nas cadeiras, as mesas cheias de sussurros, e as estantes lotadas de livros e de saudade. Saudade: palavra gasta, sem sentido algum, usada de alavanca para os mais variados sentimentos.

Sem mobilidade. As pernas inchadas pelo calor, os braços pesados e a voz. Bem, a voz treme, ou soa como trovão, e de repente se derrete esvaziada.  Depois os gatos e o cachorro se encarregam de se fazer entender, também eles agitados, e, paradoxalmente, passivos. É o calor. Excesso de verão. A grama seca, as árvores silenciosas, sem flores no canteiro. O muro pequeno deixa passantes espiarem indiscretos o mobiliário, a cama em desordem. Exposição.

O quadro não termina na moldura, como se o infinito pintado, desenhado não existisse, o marrom se acinzenta e fica branco, com manchas amarelas. Aquele sofá vermelho e as poltronas floridas conversam. A mesa retangular com as seis cadeiras em ordem. As frutas, uvas, melões e abacaxi apoiado nas bananas perfumam a casa. E M.B. Mattos – janeiro de 2020, o começo /início e gorda ideia

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