escrever uma ou duas palavras

O dia termina, anoitece devagar, e as palavras se atravessavam… O livro volta/ voltou ou retorna para o posto de ser livro a ser texto… Estou presa ainda esta vez: “As cidades se reconhecem pelo andar, como as pessoas.[…] Ainda que fosse só imaginação, não importa. A supervalorização da pergunta: onde estou? vem do tempo dos nômades, em que era preciso registrar os locais de pastagem. Seria importante saber o porquê […]

Como todas as cidades grandes, era feita de irregularidade, mudança, avanço, passo desigual, choque de coisas e descaminhos, de um grande pulsar rítmico e do eterno desencontro e dissonância de todos os ritmos, como uma bolha fervente pousada num recipiente feito de substância duradoura das casas, leis e ordens e tradições históricas.” (p.9-10) Robert Musil “O homem sem qualidades” 

Oitocentas e sessenta e uma páginas: assustador. E eu volto. Eu interrompo o tempo e pergunto: onde estou? Em lugar nenhum. Nas referências de ser eu, e ser ninguém no arredondado da rua, perto e longe da calçada volteada. De gramados domados, lagoa esvaziada e tanto céu! Aonde estou? Dentro de mim mesma, excluída ou domada. Por que escrever e soltar e recomeçar porque o livro sacode a alma. A tua palavra, o teu pensamento despido, o teu, importa. Então escreve meu amigo. Eu te leio voraz e lenta. Contraditória e louca conversa de ser eu. No espelho envelheço, mas aos teus olhos eu sou eu. Elizabeth M.B. Mattos, aneiro de 2020 – Torres

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