2014 – obrigada por teres guardado

06/03/2014 18:11, Torres.
Joana: tenho pensado em ti, na Joana lá de dentro, na guerreira. Talvez estejas doente, resfriada ou fraca. Este período é dureza sempre. Enfim! Não sou eu quem deva dizer, ou pensar, ou descobrir. És tu mesma. Nós mães, pensamos nos filhos. Os netos são uma doçura a ser conquistada… Quando fiquei grávida pela primeira vez entrei em pânico, algo indizível porque queria muito/tanto ter filhos. Na segunda vez também me assustei. Na terceira vez ainda me surpreendeu a coragem de mais uma gravidez. E minha mãe se assustava mais ainda porque eles vinham, eles chegavam aqueles filhos. E meu casamento não era sólido, talvez por minha inoperância, minha excessiva juventude. No entanto os filhos foram a minha certeza à medida que cresciam, eu me reconhecia neles. Eu me sentia salva naquele mundo tão complicado. Afinal eu estava naquele mundo, e ia mesmo enfrentar tudo. Uma das coisas esquisitas de ter filhos é a sensação de invasão. Não estaremos nunca mais sós, nunca mais. E o nosso lugar é o lugar deles, o espaço é deles. O marido limitamos, acomodamos, mas os filhos sempre ocupam a casa inteira. Conhecem os segredos todos. Abrem todas as gavetas. E todos os armários. Através desta luz começamos, finalmente, a ver/ entender/ o mundo não é nosso, mas deles. Não é preciso explicar. O susto passa. A descoberta chega, e o sentido fica claro: estamos na vida, mãos cheias. Amo-te mais, mas também o meu pacotinho, a minha pequena Luiza! Oxalá pudesse estar mais perto! (Elizabeth M.B. Mattos)

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