A Blusa Amarela

“Do veludo de minha voz
Umas calças pretas mandarei fazer.
Farei uma blusa amarela
De três metros de entardecer.
E numa Nevski mundial com passo pachola
Todo dia irei flanar qual D.Juan frajola.

Deixai a terra gritar amolengada de sono:
Vais violar as primaveras verdejantes!’
Rio-me, petulante, e desafio o sol!
Gosto de me pavonear pelo asfalto brilhante!’

Talvez seja porque o céu está tão celestial!
E a terra engalanada tornou-se minha amante
Que lhes ofereço versos alegres como um carnaval
Agudos e necessários como um estilete pros dentes.

Mulheres que amais minha carcaça gigante
E tu, que fraternalmente me olhas, donzela.
Atirai vossos sorrisos ao poeta
Que, como flores, eu os coserei
À minha blusa amarela!” Vladimir Maiakovski
1913 – tradução de Isadora Coutinho Guerra

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