rastrear

O tempo todo, rastrear. Vou ao encalço da ideia, do elo, do alguém…, do livro, da flor. Penso no encontro: prazer / cheiro / olhar. No escrever / dizer. Se beleza importa, ou existiu / ou sendo horrível / feio, deformado, a  danada e esplendida diferença. Rastrear a experiência amorosa, a cor exata do casaco, daquela blusa, do cabelo, dos olhos azuis, ou verdes, não castanhos. Descobrir o em volta, olhar para os sapatos. Buscar a vibração do andar. Da temperatura do café, e do gosto pelas balas de menta. Olhar. E os equívocos! Quantidade enorme imensa quantidade de reviradas incertas nos equívocos. O meu Outro se esconde atrás do biombo e joga, por cima, pedaços de alguma coisa, depois pergunta se eu entendo, se eu posso descobrir o que ele está fazendo…

Nenhum livro deve ser indicado ou mencionado se não ilustra o pedaço escondido. E de repente, uma única frase, sussurro já é o caminho equivocado. Da primeira e fundamental leitura ocasional um enfiado de outras possíveis, não fica indo e a voltar e a recomeçar Beth, vai ser logo Elizabeth, aquela do primeiro esforço… Então eu fico a mencionar um livro, outro, a me esconder numa exposição curiosa. Abre o livro…

Mas eu poderia facilmente trocar Proust e Musil pelas revistas People e Vanity Fair, atibuindo – lhe um gosto persistente por rock and roll, em vez de apresentá -la como apreciadora das grandes peças para corda e piano compostas por Schubert em se último ano de vida, após descobrir que estava com sífilis, concluindo, pobre ovem, com razão, que logo iria morrer. […] Polly gosta de Schubert porque eu quero assim, pode parecer contraditório que uma mulher que aprecia e que se diverte com romances difíceis possa, de vez em quando, mostrar – se tagarela  em casa, mas nem sempre as pessoas são um modelo de coerência, embora a maioria assim pareça nos romances, exceto nos romances de Dostoivéski, em que todos os personagens são pelo menos meio loucos, o que os faz mais próximos das pessoas que conhecemos e das pessoas que somos. E Dostoivéski é meio louco também, como todos nós.” (p.83-84) Joseph Heller Retrato do artista quando velho

Engraçado como perseguir, rastrear leva/conduz ao caminho perfeito. Empilhei na mesa de cabeira: Retrato de artista quando jovem, James Joyce, e também  O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde que escreve no prefácio: O livro não é, de modo algum, moral ou imoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo. E o Beth se atira / corre atrás da caça com rifle, faca, pertinência estupidez, cuidado ou distraída.  Deve ser fascinante o momento de começar, limpar a arma, preparar a munição, colocar as botas, preparar o farnel e entrar na mata para caçar. Faço analogia com o laboratório chamado cozinha, d alquimia, misturar com cuidado e paciência, ciência. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2020 – Torres

cozinha e flor e bananas.jpg

 

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