loucamente

O terreno proibido, a terra demarcada, o sinal de alerta. E interrompo o processo. Criar, ou  viver. O talento de dizer: poder. Sou prisioneira do sentimento. Apaixonada. Perdida com a perfeição de Nabokov. Investigo o texto nos detalhes. Chegou a edição L O L I T A, pela Alfaguara, vi o filme, depois nada. Leio devagar, retomo encabula, entendo o porque deste volume não estar nas estantes possíveis. Claro! Tudo me surpreende! O escritor encontra o caminho  da transgressão.: “Alguém me contou mais tarde que ela fora apaixonada por meu pai, e que se dera à leviandade de aproveitar – se dela num dia de chuva e esquecer – se de udo assim que o tempo melhorou”. O livro é escrito na primeira pessoa, uma narrativa confessional:” Cresci, menino satisfeito e sudável, num mundo muito claro de livros ilustrados, areia limpa, laranjeiras, cães amigos, vista para o mar e rostos sorridentes.” Alguém resiste a simplicidade, esta precisão e já o verbo crescente. Maravilha! Páginas iniciais. E chego a de número dezesseis:” De uma hora para outro, descobrimo – nos loucamente, desajeitadamente, desavergonhadamente, torturantemente apaixonados um pelo outro; e inutilmente, devo acrescentar, porque aquele frenesi de posse mutua só poderia ter sido mitigado com o efetivo consumo recíproco e a assimilação de cada partícula da alma e da carne do outro; mas lá estávamos nós, incapazes sequer de nos acasalarmos como as crianças dos cortiços logo teriam encontrado uma oportunidade de fazer.[…] Ali, na areia macia, a poucos metros dos adultos, passávamos as manhãs inteiras esparramados num paroxismo petrificado de desejo, aproveitando cada bendito desviou no espaço e no tempo para tocar – nos; a mão dela, semioculta na areia, arrastava – se lenta na minha direção, seus dedos finos e morenos num avanço de sonâmbulo cada vez mais próximo; então, seu joelho […] E o texto avança para a página dezessete assim, segue a desnudar alguma coisa proibida sentida, escondida. E segue: “Folheio e torno a folhear estas memórias desoladas […] Sei também que o choque da morte de Annabel, consolidando a frustração daquele verão de pesadelo, transformou – o num obstáculo permanente a qualquer outro romance por todos os frios anos da minha juventude.” (p.18)  Vadimir Nobokov Lolita

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