inacabado

24/08/2020 13:49:26

Dois dias de sol. Pelo/com/no ou através do sol, vida a se contar e a se repetir. Luz e prismas, depois a inclinação da tua voz. O outro/ amigo, irmão, amado ou amante/ marido/noivo/filho escorrega/ ou surge/ ou aparece dentro da tua alma, num filme corrido… Desgarrada por um momento, definitivamente, não sei. Liberta a lembrança boa, também as doloridas e aquelas picotadas. Caminhamos as duas silenciosas. Depois de tanto silêncio não parece importante o som, ou qualquer coisa que se diga. Assim mesmo o fato de atravessar os corredores em aproxima nossas almas / e o nosso passado. O danado do impertinente passado em que dividíamos o mesmo quarto. Um pouco antes de Isabel casar, e sair definitivamente… O definitivamente não seria voluntário, mas as bandeirinhas coloridas daquele inverno, do salão de festas, dos quitutes: queijadinha, pinhão, amendoim, cocadas brancas, doce de abóbora açucarado ficou como uma pedra, espatifou-se do penhasco com a morte prematura. E as danças a se sacudirem nos babados dos nossos vestidos foram interrompidas com a notícia. E já faz tanto tempo deste dia! Alguém esbarrou no braço de Isabel, ela levantou os olhos, lagos azuis. Os redondos faróis que iluminavam o corpo, os gestos. E a voz não veio. Estávamos as duas na despedida ardida. Deixei as lágrimas escorrerem pelo meu vestido. As lembranças se misturaram. Estranha memória. Ninguém disse/falou ou emitiu um som. Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2020 – Torres

Eu sempre estou a começar histórias sem alinhavo, escondidos fragmentos… E sem escrever / sem organizar / sem alinhavar deixo fugir a memória tão logo a manhã termine, e o sol desapareça. Ainda não estou pronta para recomeçar. Escorrego para dentro do passado enquanto o dedilhado do piano me embala e volto a dominar o piano. Por que deixei o tempo passar, por que corri tanto? Por que não estou onde deveria estar? O que exatamente aconteceu? Sou eu que decido ou a vida decide por mim a me empurrar como se fosse uma boneca desengonçada… Onde está o domínio, o poder de ser EU?

– Gosto das tuas histórias, precisas e organizas, catalogadas pelas viagens. Embora não deseje sair de mim mesma, ou trocar de lugar contigo, eu te compreendo. Não tenho pressa, e o tempo apressado se irrita com o meu sono e com os livros inacabados. Vozes interrompidas, aniversários não festejados. Ironicamente trancada em lembranças. Tuas/nossas memórias, ou seja num nada lacrimejante/ brilhante, um bordado inacabado.

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