Três horas da manhã

Aquarela: Petya Taneva

Três  horas da manhã  1 : três  horas da manhã,  neblina e pingos de noite no corpo. Gelados, os pés . O frio me sacode. Será  a idade? Subo  as  escadas depressa e volto para as cobertas… Três  horas da manhã  2: delicadas louças floridas ,  esplêndidas aquarelas . Eu me inclino no detalhe. Cestas, pratas e porcelanas majestosas. 3: O som do quarto inunda a sala com violinos.  O frio arranca todas as palavras: silêncio. Acordo três horas da manhã , e vejo todos os jardins umedecidos.  Café  com leite , pão  com manteiga,  geleia,  patê  e pepinos. Suco de duas laranjas. Quatro horas da manhã.  A Ônix se refestela no peitoril da janela e o gato atravessa a rua. Fazeres de Beth sem jeito : descasco bergamota, as cascas ficam no balcão, copos espalhados pela sala, um chinelo perdido, o tênis embaixo da cadeira, a cama desfeita e os travesseiros afundados… Roupas para lavar no chão do banheiro.  O livro aberto em cima da cadeira, os lápis na mesa, espalhados. Luzes acesas. A música tão alta! É  proibido. Elizabeth M.B. Mattos outubro de 2020 – Torres

Aquarela de Ptya Taneva (enviadas pela aquarelista Marina A.B.P.)

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