possibilidades perdidas / desejos ocultos

Felizes. O trabalho abençoa. Rotina organizada. Cheiro de felicidade, um baile de máscaras. Juventude.

[…] “assomavam de volta à realidade as figuras anuviadas do baile de máscaras; o melancólico desconhecido e os dominós vermelhos; aqueles acontecimentos insignificantes viam – se de súbito, mágica e dolorosamente, banhados pela enganosa aparência das possibilidades perdidas. Perguntas inocentes , mas perscrutadoras, respostas astuciosas e ambíguas eram trocadas; a nenhum dos dois escapava que o outro não fazia uso de toda a honestidade, de modo que ambos se sentiam dispostos a pequenas vinganças. Exageravam a atração que sobre eles haviam exercido os desconhecidos parceiros de baile, zombavam da realidade ciumenta que o outro deixava transparecer, negando a sua própria.(p.9-10)

[…] “Em cada criatura – creia-me, ainda que possa parecer banal -, em cada criatura que julguei amar, estava apenas e sempre procurando você. Sei disso melhor do que você é capaz de compreender, Albertine.” (p.15)

Conversas perigosas e apaixonados. NA D A, e toda amorosidade se transforma em angústia, raiva, desprezo ou dor. Um nada e a cabeça se movimenta tormentos do passado. Inomináveis. E que agora já nem importam. Embora deseje falar / dizer junto, voltar no tempo para ter certeza disso ou daquilo, alguma coisa, ou nada vai mudar…, apenas apaziguar. Ou tirar, definitivamente, a paz da harmonia que o desconhecido possibilita / o tal limbo…, nem Céu, nem Inferno.

— desde a conversa noturna com Albertine, ele se afastava cada vez mais do território familiar da sua existência rumo a um outro mundo qualquer, distante e estranho.” (p.37)

Acordado de um sonho, por exemplo. Claro, nós nos lembramos… Certamente, há também os sonhos que esquecemos por completo, dos quais nada permanece além de um estranho estado de espírito, um misterioso atordoamento. Ou lembramo-nos somente mais tarde, muito mais tarde, e então nem mais sabemos se vivemos de fato a situação ou apenas a sonhamos. Só que… Só que…” (p.102) Arthur Schnitzler Breve romance de sonho

O sonho não fica preso entre os dedos da mão, escorrega inquieto para as dores do corpo. Insônia, ou perguntas idiotas. O que será do Brasil? Da Amazônia, do Pantanal, da estabilidade, ou do amanhã? Por qual desvio… Estados Unidos ou China. O que serei? Não compreendo nem falo mandarim, e o inglês afasta o espanhol, o francês e o russo. Desligo as notícias, esqueço avaliações, e não penso mais que aos vinte anos, sem saber, minimamente, de mim mesma a vida tinha o risco indefinido da maternidade, de todas as decisões do que seria ser Eu. Saberei conduzir / acertar e mirar o melhor? Ainda vale a dor/a pena? O que será/seria o bom caminho? Não estou em lugar nenhum… Choramingar não resolve nada. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2020 – Torres

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