Da leitura da tetralogia de YUKIO MISHIMA

Juventude, empenho em mudar/ transformar. Marcar a ferro cada geração: jovens definirão o jeito/ a forma/ a política / o entorno / o mundo / o jeito de ser. Trocam / alteram / desenham roupas. Sublinham rituais. Penso no quanto fui omissa, alienada e subserviente. Nada fiz de relevante, ah! esta pequena história de moça bem-educada, comportada (ou nem tanto!) de nada serviu. Enfiada em belos vestidos, exigente para bainhas bem-feitas, e cores, e tecidos ou sei lá o que exatamente. Escovar muito e muito os cabelos. Caminhar pela praia, chegar ao rio Mampituba. Dançar, dançar, dançar e, ainda, dançar. Hoje, as academias. Exercícios. O corpo sadio. Alimentação. O brilho de uma prática agregadora. Sentada na minha velha, velha, velhíssima cadeira, enquanto leio, a pensar, espio pela vidraça e vejo velhos, jovens e crianças na calçada, a grande maioria caminha num ritmo de exercício… Este movimento alegre no final da tarde me fez pensar no que era/foi e como era… Claro! Onde estarão, em outras cidades, estes jovens, estes velhos… Ninguém espera acontecer, faz acontecer. E volto para minha mansa / quieta / rotina de ser eu. Como foi, exatamente, chegar a minha serenidade agitada? Claro, Yukio Mishima conta/explica/ narra a história do Japão, atravesso o tempo. Vejo as montanhas, campos de amoras, caquizeiros, cerejeiras, carvalhos, rios, templos, devoção, crisântemos selvagens. Atravesso o livro com o coração aceso. Vou para tão longe! Entendo o Budismo, quero chegar a Confúcio. Acompanho os olhos de um leão em Isao, acompanho a reencarnação. Volto para cumprir/realizar o que não foi possível naquela vida, a outra, mas precisa ser feito. E o feito escreve a história do mundo. Somos flores, não pessoas, somos uma parcela mínima, e gigantes. Somos pássaros. O essencial importa, não o amontoado de palavras vaidosas, o silêncio real. Mas nada sei do essencial. Vejo o Sião se transformar numa monarquia constitucional. E a tarde na beira da Lagoa do Violão me parece tão extraordinariamente perfeita e adequada. As tardes de sono empurram o cansaço do meu corpo, estou revigorada. E posso fazer/ fazer/ fazer/ e também seguir lendo. Tudo me parece tão singelamente natalino! Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2020 – Torres

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