– madrugada – Inquietude do corpo, dor na perda, no braço. Inchaços do corpo. O espelho perturba. Posso passar o dia num fazer tranquilo, agarrada na boa rotina, e foi apenas mais um dia. Quero estar na sensação certa, nem sempre acerto. Escrevo. – Aos pedaços, livros inacabados… Fotografo a casa. Cozinho. Faço um suco, experimento o vinho. Depois, saudade indefinida do que está a passar, do que está a me esperar… Loucura: desejo pequeno e egoísta de ficar/ser/estar tu mesma outra vez, ou sempre. Não é assim…, mas quem explica para quem o certo ou o errado? Cortes esquisitos. Não digo. Não explico a chuva. Escuto vozes sem ouvir / entender, ou escutar. Olho pela janela distraída. É bonito. Penso em mudar, e ir/voltar para Porto Alegre. Energia nova. Às mudanças de casa, de cidade, de jeito, de rua…, mudar. O olhar, o gesto, o cheiro afiado…  Comprar perfume, flor, livro. Descobrir novo autor. Fio de esperança, lágrima escondida. Nem sei mais… Nada mudaria nada. Nenhuma fala ou explicação resolve. Como disse um amigo, esmiúças, este muito/tanto!, de nada adianta… Não adianta mergulhar e esparramar o mesmo, sempre o mesmo. Eu o aborreço. Como se as perguntas tivessem necessariamente que ter respostas. Ou as festas não terminassem. E o enterro, a despedida, a morte tivesse respostas. Não tem. Estas questões se retorcem. Conhecer mais, ou menos de mim mesma, dos outros, do manejo do pejo, encontrar um hoje melhor ou pior. O mesmo. Ser pessoa / gente entre outras pessoas, olhar mais, esquecer menos…, constatações.  Medidas. Estou tão e completamente esvaziada que o desejo de viajar/ de mudar se acomoda nas arrumações das gavetas.  Entrar no avião… Depois estremeço mais um pouco. Certezas? Perdi convicções.  Assim mesmo inverto a conta. Brinco de durar 95 anos, lúcida, ou 100 anos como a velha de Garcia Marques, amarrada numa árvore milenar, brotando. Poderei ainda fazer? O quê? Brincadeira engraçada de medir o tempo, de agarrar o cálculo. Escuto a Ônix roncando. Dorme esparramada na cama que fica ao lado da minha. Como eu gosto deste som!

Tirei duas fotos. A louca e desesperada loucura de fotografar para confirmar.  Desenhar antes de escrever. Escrever antes de pensar. Lembro do FT a me explicar / confidenciar o mecanismo ativado de poetar. Bonito aquilo de dizer antes, e depois, e sacudir tudo dentro do saco das ideias do rascunho: o livro seguinte. Parece isso mesmo viver. O livro seguinte. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2021 – Torres

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