sem foco

Peixe delicioso, camarões e alegria. Sesta preguiçosa. Ao acordar / disposta: ordenar, limpar: energia acumulada. Como disse a Luiza, num sorriso, inventas logo meia dúzia de coisas para fazer. Selecionei quatro taças de cristal Saint Louis para vinho do Porto; coloquei numa bandeja junto com a garrafa, na ponta da mesa. Bonito como nas revistas. E resolvi fazer ambrosia de muitos ovos, luxo de doçura. Abro a janela para respirar o mar. O vento levantou as cortinas. As cortinas derrubaram os copos, não ficou nenhum: os cacos viraram pó. Susto no olhar estarrecido… A lembrança se espatifa no vento, no susto. Voltei pra o doce. Beth Mattos – junho de 2020 – Torres e suas ventanias.

Controlar o corpo, esforço grande. Controlar o mar, impossível. Construir heróis, dar exemplos não consigo. Destruir, apedrejar, chicotear e ensurdecer: método de vida atual. O melhor se encolhe. A “Guerra dos Rosa”, ao final não sobra nada. Ódio por todos os lados. Escárnio e mau cheiro. Todas as lágrimas não escondem este modelo belicoso. Um dia alguém disse: “Não vai ser fácil.” E, decididamente, não está sendo fácil. O tempo lava as mágoas, e os erros. As cidades são reconstruídas, desaparecem os monstros… Nascem as crianças azuis. E o mundo volta a ser perfumado com seus jardins floridos. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2021 – Torres

A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda. Dizem que se esconde por modéstia. Não é. Esconde – se para poder captar o próprio segredo. Seu quase-não-perfume é glória abafada mas exige da gente que o busque. Não grita nunca o seu perfume. Violeta diz levezas que não se podem dizer.” (p.59)

Acho que vou ter que pedir licença para morrer. Mas não posso, é tarde demais. Ouvi o ‘ Pássaro de Fogo’ – e afoguei – me inteira.” (p.61) Clarice Lispector Água Viva

Sempre esta sensação de morte na vida intensa como um pedido de socorro para dentro, sem som, abafado pelas dores. Desesperado e impotente. Toda a leveza de sentir desaparece ao fechar os olhos. Tarde inteira, dia inteiro de um sono mole, sem cansaço, embrutecido pela fuga. E viver se empalidece. Não gosto deste ar abafado do verão, deste ruído borbulhante do sol. Não gosto deste aperto que sinto dentro de mim. O que aconteceu com o brilho? Não tenho joias, nem cristais, nem roupas importantes como diria o RUI…, tenho o mar. Da minha vida passada, lembrança: livros, quadros e caixas. Suponho que me olhes com tristeza. Não importa. Ou importa? Uma lembrança de vento a soprar no susto. Elizabeth M.B. Mattos – (das pequenas memórias) Beth Mattos

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