Se as palavras se espalhassem em formato de verdade… Se tudo fosse dito branco no branco. Olho no olho… Tenho medo. Não deve ser este uivo do vento, nem a calçada varrida que impressiona. Desviar…
Verdade sem rumo, desvairada… Chuva! O susto do retrato, do fato, do gesto. Esta história da história embala! O medo! Esquisito estranhamento! Fantástico boneco. Brinca o amor, esconde a raiva, atropela a confiança, quebra o vaso, esparrama o mel…
E cala. Não desconfio, sei. Tu sabes. Ele também sabe. Sem princípio, nem fim. Pensar Roma. Vaticano. Pensar Alemanha. É a França? Não. Vai outra vez pra Inglaterra… E me espera. O Brasil se esconde. Enfeita-se roliço… O Rio de Janeiro festeja. E o gaúcho brinca de viver em São Paulo, bafeja o carioca, olha pro mar inteiro e se alegra… E o nortista? E o mineiro? E eu nem sei esta geografia toda. Calo. Não é irmão, nem primo, nem sangue, nem nome inteiro, cortado, adotado. O meio sorriso manso contamina.
Era uma vez um lobo mau. Era uma vez uma menina. Era uma vez uma vovozinha covarde. E aconteceu tudo uma vez… Todos se empertigaram na cadeira pra escutar… Elizabeth M.B. Mattos
“Quando George Gruikshank, o renomado ilustrador dos romances e Dickens, leu O Gato de Botas, ficou horrorizado ao pensar de que os pais leriam aquela história para os filhos. ‘O conto era uma sucessão de falsidades bem-sucedidas – uma brilhante aula sobre como mentir! -, um sistema de impostura recompensado pelo maior lucro mundano possível.’ E, na verdade, há pouco valor a louvar nesse gato que ameaça, lisonjeia, engana e furta no intuito de instalar seu amo como senhor do reino.” (p.236)
Contos de Fadas Edição Comentada& Ilustrada – edição, introdução e notas Maria Tatar – Jorge Zahar Editor – 2004.
