explicações

Eu não sei o porquê de explicar, mas estou sempre a explicar, esticar, querer saber mais isso, e ainda aquilo. Tudo agarrar e entender. Engraçado! Houve tempo comprido a pensar que se desvendaria o difícil! Pensava chegar perto do tempo para ser/ter/ e aceitar quem eu era/sou, sem saber ao certo como, e nunca soube, sem meta… Fui a tatear, a desviar mais do que entender. Aprender, perseverar ou focar: distraída, sempre tão distraída! Difícil entender/saber/apreender a escrever e a ler. Brincar era /ainda é? (risos), não aceitar. Maior melhor, não ver / sair/ correr/ o quintal grande, as bananas fritas! Fascínio da cozinha:  conversas fáceis, riam enquanto trabalhavam…, e eu gostava do cheiro, daquela simplicidade, e provar antes de todos, descobrir o gosto. A mesa cerimoniosa. Sendo a mais nova, a criança, falar era mesmo atenção, cuidado. Participar difícil. Eu dizia tantas bobagens, e desconcentrada, apreendia lento, muito lento. Brincava com as bonecas, pedrinhas, tampinhas e falava atrás da cadeira imaginando isso e aquilo. Acompanhava o pai aqui e ali sempre que podia/ nem sempre conseguia acordar a tempo. Acordava cedo, apressada, sem preguiça para conseguir: sair com o pai, levar as irmãs mais velhas ao colégio. E gostava. Depois ele me mimava com pequenos agrados, cortar o pão em pedacinhos, o café junto. As laranjas descascadas. E o silêncio daquela conversa terna. Ninguém imaginava o fácil para mim, tanto escorreguei e foi mesmo difícil aprender e a fazer. As lágrimas eram boas de chorar. A mãe, mais ausente / ou transparente, não sei. A beleza importava: bonitas as cortinas, o carpete, o jardim, os detalhes, o cheiro. Perfumada a casa. E os livros, a biblioteca, as lareiras. Aqueles banheiros coloridos, e o gramado. Os discos, a música. Música, tanta música!  O francês rondava… Eram os sons a me perseguir. E ainda agora. O som, o cheiro. Vejo meu pequeno apartamento entre desordem e desordem, e uma vontade enorme de ter tudo novo, mudar, recomeçar, refazer. Parece tarde. Tão tarde! Decadente? Elizabeth M.B. Mattos – março de 2021 – em Torres, porque o pai definiu / desenhou um lugar refúgio certo. E aconteceu. Corri para me refugiar em Torres, depois Ana Maria chegou de seus Anos na Itália, depois de Berlim, e ela também ficou. E os netos já nasceram aqui. Tão estranho! E Luiza foi crescendo aqui, espiando este mar daqui todos os dias, estudou aqui…E agora tão longe! A história se perde na narrativa dos filhos… Descobri um caderno velho de 1985, a reler. Estou impregnada dos nossos verões / férias -, presente da vida ter sido criança, adolescente pelos corredores da SAPT. E a beleza. É bonito aqui.

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