“Viajar é descobrir que todas as pessoas estão erradas a respeito dos outros países”. Aldous Huxley.

A última das tantas ridículas cartas, todas de amor, pois só o amor pode ser ridículo (já explicou Fernando Pessoa), impulsivo e tempestivo. Às vezes tu falas comigo com a comedida voz e tom ao que consideras boa educação, e pertinente. Digamos, própria de quem trabalha com o público. Nenhuma manifestação amorosa que possa comprometer tua alma, tua retidão. Apenas, a fidelidade,

Fidelidade a boa educação. E os princípios de fidelidade internos, familiares. Importantes. A amizade deteriorou-se junto com a queima da paixão.  Sonho e desejo, sozinha, imagino teus abraços, tuas risadas, teus pinotes quando estás feliz e alcanças os objetivos. Cansei de esperar, imaginar e borboletear a tua volta. Eu lamento, mas estamos, os dois estacionados no vazio. Como alimentar esta viagem? “Viajar é descobrir que todas as pessoas estão erradas a respeito dos outros países”. Aldous Huxley.

Eu estou errada a teu respeito, não houve/não há interesse, ou paixão. Nada morreu, pois nada existiu. Então. a minha esquizofrenia foi maior. E, eu atropelo a minha vida com outros fantasmas, eu me defendo dizendo e contando de outros amores ou coisas assim esperando aquela reação imediata tua: “Não, sua tola, apenas a mim tu amaste e amas…” Aquele direito divino de saber quem é quem no meio do povo inteiro. Afinal, meu querido, nunca soubeste nem imaginaste, nem sentiste o amor que eu tenho por ti. Assim, de que vale meus sonhos, meu desejo? E as minhas fantasias? Elas caem na vala comum do ridículo, do vulgar. Perdoa o que te escrevo, esquece o sonho e segue nesta campanha silenciosa do n a d a: isto é, sem cinema, sem leituras, sem poemas, sem textos, sem vinho, sem música nem risadas.

OK!? VOU AQUIETAR-me.

 São José dos Ausentes, ausente, com neve, fogo, embriagues e amor com sexo, sexo com amor, sem sexo, com a mão correndo o corpo e os beijos secando a boca. Risadas, marcas e saudade já daquele momento que nem aconteceu, acontecendo.

Tenho que conseguir te esquecer. Apagar.

Aceitar teu caminho. As escolhas do tempo roubado. Que sejas, afinal, feliz como pai, avô, marido, viúvo, comerciante, intelectual, respeitado ou sei lá mais o quê desejas. Rico. Tenho ligado no meio da noite, no meio da manhã, nas tardes, com chuva, com sol, com lua, com latidos, com coragem, com medo, sem assunto, com muito assunto. Tenho ligado muitas vezes. Do celular, perdi o número: perdi todas aquelas mensagens carentes sem resposta. Como te ameaçar no amor. Esquisito. Invasão minha. Ninguém nos quer juntos e nós não somos mais de nós mesmos. Um beijo.  Se Paris voltar para nós eu estou aqui. Se as flores chegarem, eu estou aqui, se a cesta com vinhos e petiscos chegarem eu estou aqui. Se teus poemas se escreverem, eu estou aqui, se fores ao cinema, eu estou aqui. Se puderes, um dia, me amar, eu estou aqui. Um dia é muito tempo. Um dia inteiro sem medo. Um dia nosso, um dia. Como deixar o medo preso naquela gaveta e chaveado? Isto. Pensa nesta possibilidade: chavear o medo, a insegurança e as desconfianças e então abrir os braços de forma lenta, muito lenta, sem sofreguidão…Toda uma tarde, toda uma generosa noite com direito ao amanhecer quieto, por isto São José dos Ausentes nos espera. AUSENTES. 28/5/2004 10:23:37 / Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021 – Torres

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