metade

A metade, o meio não deveria me satisfazer, metade de indolência, ou de preguiça, ou de remoto desânimo feliz, fico pela metade, na metade. Dia ensolarado. Beleza particular, cheia, vamos pegar o inteiro! Caminhada metade. Faço metade da arrumação. Não estão em ordem os livros, nem as estantes definidas, nem as louças, nem o lugar certo. Um dia quero arrumar fazer bonito, ter tempo para nada fazer, sem culpa. A poltroninha nova vai definir tudo, nada de leituras na cama, mas sentada, comportada. Vamos ver! Almoço, fico na omelete, meio copo de vinho, meio tempo, meia fruta. Meio sol, meia lua (se for pão francês, delícia), meio livro. Sim. Milhões de páginas, metas importantes (Grande Sertão, 4321, Escritos, Bela do Senhor, Bíblia, O Homem sem Qualidades (já na cabeceira) para terminar de ler, não. Vergonhosamente, metade. Hoje especialmente feliz eu me disponho a vencer a fazer a ser gentil, alegre, a ler desavergonhadamente. Foi mesmo Rocamadour a definição, vou voltar a França, um dia indefinido, claro! Pensamento metade. Quero salvar o tempo, o sol, e tua poderosa generosidade. E a CPI da COVID por inteiro a digerir, Brasil importa, ou também pode ser metade? A luz por inteiro, e a noite completa, por inteiro. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021 – Torres

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