a última coca-cola

Quando descreves o tempo, do teu tempo, longe do meu tempo, reconstruo um mundo que deixei para trás sem guardar nada. Apenas segui para o Rio de Janeiro. Ao sabor destas fotos-lembranças, as tuas, eu vou voltando para casa, para a rua Vitor Hugo. Volto ao Petrópolis Tênis Club. às vezes, eu reconheço uma região na tua face, tal relação no nariz e na testa, o movimento dos teus braços, das suas mãos. Eu te reconheço por pedaços, ou seja, não alcanço seu ser e, portanto, tudo em ti me escapa. E tudo em ti eu sinto quando me abraças, e me beijas, devagar. Abres a porta de um jeito tão silencioso que a surpresa já me alucina, e não posso dizer nada, apenas ir tirando as roupas devagar, confiante, sem pudor, a subir os degraus, e a me deliciar com aqueles minutos que serão o ano inteiro, e a loucura. Não temos o que dizer, não faz sentido interromper, apenas o beijo arriscado do desejo explodindo. Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2021 – Torres

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