Menos – ,muito menos Eu

Sou menos Eu do que posso me descrever, ou mergulhar. Menos minhas mesmices escancaradas, divididas, compartilhadas. Ainda me atrapalho com a ortografia. As dúvidas se remexem na minha difícil alfabetização. Até hoje indefinida. Eu quero. Eu procuro ser Eu. Então vou limpar as estantes, escovar os livros, reorganizar o organizado, revirar nas fotos. Descubro tantas coisas minhas, e volto. Volto para algumas mágoas recalcadas. Escondidas. Ah! Quantos desenhos em esboços que não eram Eu… ?!? Ao procurar livros/textos, encontro minha mãe, e meu pai, e as páginas amarelas dos livros…, folhas machucadas, o tempo. Os registros de outro século. Registros da minha casa. Mas, como se estuda pouco e se mistura muito! O desnudamento dos sentimentos é prática sedutora. E eu volto?! Encontro Marcel Proust – O Fim do Ciúme: uauuuu! Como?! Eu tenho ciúmes da sombra do meu amado. E não tenho, controlo, procuro hábitos estáveis, valores e rendas intermediários, entre pobreza e falência, nobreza e riqueza. Céus! Este amontoado de incertezas sou eu, e estes eus são tão menos! Encontro no último sonho a presença do pai, e, principalmente, da literatura, das leituras, dos livros da minha mãe. O pai tinha enorme biblioteca jurídica, e os filósofos. Sempre a presença deles. Sou o desenrolar dos dois. Estas heranças fundamentais. A minha casa/estúdio não me pertence, não apenas a mim… Enfim! Estou a divagar. Era Proust, era o conto, O Fim do Ciúme. Era saudade de ti, das tuas ponderações, das tuas histórias. O meu ciúme. Era /é tua vida, o meu ciúme. Era do/sobre teu amor que eu queria escrever: sinto saudade!

Se tenho de morrer, não terei mais ciúmes quando estiver morto; mas até que morra? Enquanto meu corpo viver, sim! mas, visto que não tenho ciúmes senão do prazer, visto que é meu corpo que sente ciúmes, visto que não é do meu coração que sinto ciúmes, não é da sua felicidade, que eu desejo, sentí-los-ei por quem será mais capaz de lho dar; quando meu corpo desaparecer, […] – Sim, mas até lá o que será de mim?” (p.162-163)

E o conto me devolveu a E N O R M E saudade tuas palavras, teu olhar a espiar minha vida. Teus sentimentos estendidos ao sol da nossa juventude, da rainha da festa, daquele verão feliz, aberto. Nossa alegria sem finitude. Sol, verão, praia, e, todas aquelas alegrias-esperanças… E não dançamos. Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2021 – Torres

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