eu finjo

orquídeas para o baile

Preciso de calças jeans, meia dúzia de camisetas brancas, pretas, talvez azuis também, enfim, pode ter uma amarela por causa da luz: preciso. Preciso comer laranjas colher espinafres… Deixar o tomateiro invadir o jardim, e dançar com as orquídeas:, orquídeas em cascata tão perto da minha janela! Ouço a música da tua voz, da tua risada, sei que brincas de esconder. Sim, deixar o dia chegar. Acordar no silêncio pode ser complicado. Mastigar o amanhecer pra energizar a vontade. Como eu demoro para me dar conta que estou sozinha, agarrada aos sonhos e lenta. Estupidamente lenta. Estantes arrumadas, incrível! Consegui! Achei livros extraviados (risos), e, acabei concordando com a filha: choramingar amores passados, desejar os novos: vida correndo, não dá pra mudar – é assim mesmo. Reler Épaves de Julian Green, sinto saudade da Anita. Uaiii! Ela era forte, atuante, focada, decisiva. E eu não gostava nenhum pouco disso.(risos) Não é estúpido? Mães ocupam espaços gigantescos, imensos! Depois, ficam carentes. A independência se pendura num braço amigo, onde? Sei lá, meus amores desapareceram… Do Zé ao André, ao Roberto, ao Gustavo, ao Luiz, ao Nelson, ao Paulo. Mágica desta epidemia. Ou não?! Sou eu mais desejo, mais deixada no escuro, mais lúcida, ou meio anestesiada. A noite estava quente, com lua e estrelas, sem política, sem presidente. Eu teria ido direto para os braços do amado. Amado?! Esqueço, completamente, o cósmico. Atrai e nos deixa cair na ilusão… Igual. Tesão. Uaiiiiiiiii, isso não esta nada certo, nem fora do lugar: esquisitice. Adormeço antes do tempo, ou desperto antes da hora? Vai saber! Onde está a senhora sensata, organizada, avó, matriarca? Pessoa resolvida, esclarecida?! Sei lá. É a música. Mimos, nenhuma saudade, puro desejo. Diz minha sensata amiga que a COVID nos fez/faz amadurecer: o necessário. Apreendo a dizer não, usando o sim. Arregalo vida! Eu preciso viajar, mudar, alterar, sair. Elizabeth M.B. Mattos – setembro de 2021 – Torres vou retomar O Grande Sertão do Guimarães, ali a conversa sai de verdade e do jeito que é, confessional, equivocado porque não sou quem eu digo ser, eu finjo ser. E tu não és.

2 comentários sobre “eu finjo

  1. Os teus amigos Antonio Carlos Resende e Paulo Haeker Filho , que já foram, tinham razão, Bete tua poesia tá muito boa.Nel

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