gentil sem amor

Memória encolhida, tropeça, atrapalha…, uauuu, não lembro teu cheiro, nem teus olhos. Lembro. Demoro para lembrar, teu cabelo. E te juro, não é preguiça, mas falta, falta de palavras grandes…, esqueço palavras definitivas, e as vozes…, palavras soltas distraídas, impotentes, as pobres, é a voz… Nunca escutei tua voz.

Ela é gentil, vivaz, transparente, intensa, eu não sou gentil. Sou amiga desagradável.

Se não tomo nota, se não agarro o lápis, ficha e caderno, esqueço: desaparece o assunto, perco o fio, esqueço a cor.

A comida ficou delícia!!!!, a mesma, e delícia! Coisas de carinho de meu prazer pro gozo. Tesão por estar a fazer, a querer,… aliás, bem ao meu gosto destemperado: pimenta, passas, vinho e fome. Embalo do vinho…ou sei lá. Se eu cozinho, eu me alegro, se demoro me exaspero, e se tem cheiros desisto. Se faço assim, a te pensar, fica delícia! Esqueci das batatas. Adoro batatas, adoro conversar… Onde tu estás? A cozinhar, imagino. Tudo azedo. Os cantinhos, sem música, sem sedução. Como te explicar? Amanhã como sanduiches e tomo leite e fico na cama, de pijama, não camisola, não sou afeita aos pijamas. Tô avarenta, contida, reprimida, pouco, pouco, muito, egoísta. Digamos ser amarelo com mais marrom, pouco perde, preto, preto dominando. Ficou bonito o quadro, pois é, mas tu és azul?! porque usei tanto marrom?! Azul e amarelo, iluminado.

Por que eu me aborreço? Sou aquele tipo ‘esquisita-acentuada’ não confiável, azeda mesmo, desagradável pra ser mesmo desagradável. Preciso de espaço, espaço, o infinito da terra finita, fora do lugar, a meu jeito esparramado… O meu canto? É pequeno, sei. Tu sabes, é pequeno onde moro, mas desarrumado, empoeirado, florido, aberto, fechado, polido, e os livros esparramados: meu espaço, adoro os possessivos.

Detesto cozinhar?! Estás indo? Não cozinho para ninguém, cozinho apenas para mim, então escolho os melhores talheres, o copo mais delicado, a louça perfeita e devoro a comida, prazer sem educação, grandes garfadas, voracidade. Escuto músico e bebo vinho, e sinto preguiça depois… Elizabeth M.B. Mattos – setembro de 021 – Torres tá cinzento e tá ficando frio! Sabes de uma coisa? Quase não sinto tua falta, mas, às vezes sinto forte, repasso as lições…

2 comentários sobre “gentil sem amor

    • Saudade estava das tuas observações! “delícia das palavras” e “perfume das distrações”! Agarrei forte! Abri um sorrisão! Bom ter o amigo perfeito a dizer a palavra certa! Um abraço de verdade! Obrigada Antônio.

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