coração inconstante

01 de 10 de 2021 – das inquietudes, depois da chuva esplêndida, como deve ser a chuvarada, esplêndida. Da caminhada entre amoreiras exauridas, do dia sem olhar, talvez seja isso o não sentir. Reajo, mas nem tanto! Nada com a pandemia, tudo certo (risos) com a pandemia, vacinada, disposta, a brigar pelo espaço, é verdade, ah! Dizer, afirmar, se posicionar, coisa certa. Antes eu me encolhia, hoje tenho herói. Sou, estupidamente, comum. Muito engraçado isso! Uma nota na coluna social, um livro de quentura! Duas linhas, um brinde! Uma foto, a certeza. Ah! Naquele tempo as estrelas estavam no firmamento, e as festas eram festas, as pessoas, acontecimento. O caminho, fácil. As calçadas pavimentadas, sombrias ou enlouradas? Não lembro. (risos)

Flores tímidas, e tanta exuberância eu vejo nas fotos, nos jardins! Quem sabe no próximo ano, ou no seguinte estarão as minhas floridas! Preciso arejar o quarto, abrir espaço, e dormir. Acordar mais vezes como se o dia começasse, detesto o meio da tarde, o entardecer, e a noite. Não pode ser assim! Vou para a música.

Those tapes are palaying in my mead…All those silly love songs. Shopgirl sorrows, jukebox tears, low-rent rendez-vous. Where or when, September songs, the clothes you’re wearing are the clothes he wore, the smiling you are smiling he was smiling then, but I can’t remember where or when. Oh, to love again and again…” It’s always the same thing. Always the same goddamn silly thing [As fitas estão tocando em minha cabeça, todas aquelas estúpidas canções de amor. Tristezas de balconistas, lágrimas de jukebox, encontros de aluguel… Onde ou quando… Canções de setembro, as roupas que você está usando são as roupas que ele usou, seu sorriso de agora é o sorriso dele então, mas não me lembro onde ou quando. Oh! Amar e amar e amar… É sempre a mesma coisa. Sempre a mesma maldita coisa estúpida.]

Talvez eu sinta falta da rotina invertida, embora rotina, a dúvida (sentimento impreciso), que pode ser enfadonho. Estou irrita. Quero ser feliz antes de dormir, ver lua e estrelas, quero gostar do morno dia quente de verão… Com chuvas fortes e ventanias: todas elas especialidades do amor. Talvez eu já tenha esquecido: as horas, todas, as minhas. Horas possuídas, inteiras. Eu posso ir e voltar, fazer ou não fazer, na rotina do prazer, seguir… Acordar do sono e me encher de alegria terrível, de assombro sagrado e divino. Dar explicações, estou eu comigo, outra vez, apenas eu. Sem aprovação ou reprovação. Livre para realizar o trabalho e governar a natureza. O trabalho, o despertador, sem hora para voltar. O prazer de conviver. Viver. O pensado se desvia. Oh! Não, não, não, não, não, não pense nisso. Não arruinar o presente com o passado arruinado. Ficar bem, ser inteira, estar bem. Tenho um coração inconstante, mas corajoso. Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2021 – Torres

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