um caso de amor

Se eu pudesse te chamar de volta / se a vida tivesse aquela segunda chance! Não tem, então eu choramingo um pouco, escuto música. Lembra do fervente? Lembro de tuas mãos geladas, tua pressa e teu medo, teu sucesso! Lembro das tuas leituras surpresas atravessadas e dos teus telefonemas escondidos, do fax, dos bilhetes rasgados. Lembro quando juntei pedacinhos…, na verdade somos uma surpresa de reações, o que nunca faríamos, fazemos… Ah! Como sinto saudade do teu amor! Fiquei pensando: eu te amava e tu me amavas, simples assim. Uma volta não pode, há que haver duas e riscos, penhascos, aquilo tudo que vivemos.

A coragem nem sempre é evidente, há medo/apavoramento a nos envolver. E a verdade, tal qual deveria sair, se divide por quatro vias. Quatro caminhos, e tantos equívocos! Tão intensas certas experiências! E outras, as doloridas, diluídas. Da alegria absoluta ou repartida eu me escondo ao escrever. Preciso mesmo dizer do brinde? Não sei. Ai eu ainda tenho arestas a serem trabalhadas, então eu vou contar… Às vezes, me aborreço por estar ancorada neste mar…, e a praia está quase chegando aos meus pés… Hoje fui ver a casa / claro, por que não alugar aquela de frente para o mar?! Fechada, cheia de maresia, mas esperando, paciente, o verão: vou pendurar duas redes, ou três, levar o despojado, e deixar outras tantas coisas para trás. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2021 – Torres

Ah, Anna, você inventa histórias sobre a vida e as conta a si mesma, e não sabe o que é real e o que não é.

Quer dizer que não tivemos um grande caso de amor? […]

Se você diz que tivemos, é porque tivemos. E se você diz que não tivemos, não tivemos.

Quer dizer que o que você sente não importa?

Eu? Mas Anna, por que deveria eu importar? (Esta frase foi amarga, zombeteira mas afetuosa.)

Mais tarde lutei contra uma sensação que sempre se apossa de mim depois de um diálogo desses: a de irrealidade, como se a substância do meu eu se estivesse afinando e dissolvendo. […] Muito bem então: ele afirma que invento histórias sobre nossa vida juntos. Vou escrever, o mais fielmente possível, todas as etapas de um dia. Amanhã. Quando a manhã acabar, vou me sentar e escrever.” (p.321) Doris Lessing O Carnê Dourado

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