erros refletidos

“Não cometer uma ruindade gritante é um modo de tomar consciência de que não se é mais jovem. […] O útil seria nunca falar em juventude na história, mas deixar adivinhar isso, justamente pela recusa de se soltar. Talvez quando muito, no título: Juventude terminada. E, no fundo, o pensamento: Aí está, não farei mais essas coisas; cometerei agora erros refletidos, erros de limitação, não de universalidade”(p.161) Cesare Pavese O Ofício de Viver

Erros irrefletidos, igual complicados. O erro fundamental será sempre aquele que não se pode consertar; (risos) na verdade, não consegui acertar, estar equívoco, sempre?! Uma constante. Distraída, confundida. Apreender sem interromper o vento / a brincadeira: impossível. O melhor momento? O das bonecas, fossem de papel, pedrinhas, de pano, de louça ou os maravilhosos bebês com rosto de louça. Os brinquedos nos carregam…e atrapalham, a vida do faz de conta importa mais do que viver. Ou estou sempre brincando? No faz de conta. A pensar! Festas, risadas, o sem compromisso, o jogo… Fazer comidinhas, embalar os bebês, trocar as roupinhas, lavar as panelinhas, empurrar os carrinhos, chutar a bola. O exercício. Ler e escrever foi tipo tortura. Esconderam o sol, tiraram a sombra, desligaram o som. O silêncio ficou feio! Bem! Inventa -se, imagina- se e até governar / ter poder pode ser tão, estupidamente, artificial! E aquelas reuniões enfadonhas, eles brincam de decidir, mas jogo de tabuleiro pode ser, levemente, complicado. (risos) Céus! Estou misturando reis com presidentes, e os chefes…, os que mandam, decidem. Crescer pode ser enfadonho quando não é mais descobrir. E descobrir pode ser…,não sei.

“Não traí porque nunca me fizeram pertencer.” Esta frase me faz pensar. O que seria/será trair? Não estar em tentação. Seguir a natureza, o natural, e acontecer = paraíso. Eu me expresso mal ao dizer, “nunca traí”. Há tantas formas de não estar aonde deveríamos estar! E tantas e inúmeras traições! Equívocos. Prisões e paraísos. A doçura da paz e flores! A voz, a tua voz e teus olhos apertados! O embalo. Eu te agradeço! Preciso contar, voltar, repetir, dizer, e, depois negar. Esta ventania que não termina! Será o vento? Ou este avesso do tempo? Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2021 – Torres assobiando dia e noite – e o mar enroscado, com sol a espiar, mas logo espreguiça. Volto a juventude iluminada, caminhar de pés descalços faz bem, comer batatas fritas e bifes acebolados, entrar no mar, banho de chuveiro, tempo demorado na banheira, a nudez, o sono com sono, os beijos, a magreza saudável, engordar sem medo. Avião. Ficar quieta em casa. A limpeza. Fazer aniversário. Esperar o verão. Esperar o frio e muitos cães.

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