espelhos e sonhos

Existe a reclusão produtiva, coerente. Infelizmente, depois que as estações se fecham sucessivamente o sentindo vai se distanciando como um estranho, quase incompreensível. No entanto, visível. Escuto a água escorrendo pelos degraus, e a vassoura escovando, antigamente, era preciso ajoelhar. Agora fazemos tudo do alta, majestades em todos os postos. É preciso entender a soberba. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2022 – Torres. Ou é apenas o desagrado, o desinteresse pelo fazer, pelo cuidado. Podemos substituir os espelhos, e os sonhos.

Toda de branco, calçando chinelos, estes do interior, fechados, encontrados nas vendas. Especial porque de couro. Cabelos escorridos, raiados de branco. E o rosto de índia, da tribo chefe, serena. Não trazia enfeites. Agarrou a criança sem entusiasmo, com certeza.

Da janela assisto o movimento. Um carro branco: jovens. A pequena, sem sorrir, passa de uns braços aos outros braços. O cabelo com cachos, olhos escuros inquietos. Silenciosa criança.

Voltei para o dia de arrumar, recolher os papéis, deixar a ordem entrar com calma. Coloquei os bifes à milanesa no forno, terminei de cozinhar as batatas. Recolhi as roupas. Fechei as janelas.

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