coisas de Flaubert

Há tardes que ficaram na minha cabeça, conversas de seis horas consecutivas, passeios e tédios a dois, tédios, tédios! Todas lembranças que parecem ter cor vermelha e queimar atrás de mim como incêndios.” (p.62)

Precisão. Inumeráveis tédios nos seguem/perseguem, então, o ‘basta’ / o não aguento! Não posso! É imperioso, fundamental para que eu não me esqueça de mim…, não me deixe morrer! É fácil se deixar acontecer, levar… Não somos fardos ou doces! Às vezes frágeis, fracos, mas somos nós! Eu lembro da necessidade emocional de ser gentil! Ser gentil me parece grande defeito!

“[…] Eu sou um homem-pena. Sinto através dela, por causa dela, em relação a ela e muito mais com ela. Você verá a partir do próximo inverno uma mudança aparente. Eu estarei três invernos usando usando alguns escarpins. Depois entrarei de novo na minha toca onde estourarei obscuro ou ilustre, manuscrito ou impresso. Há no entanto, no fundo, algo que me atormenta, é o não conhecimento de minha medida.” (p.62) Gustave Flaubert Cartas Exemplares (Croisset, noite de sábado, 1 de fevereiro, 1852)

Minha medida, o meu jeito próprio de ser, o meu caminho, o meu, não o teu. E, ao mesmo tempo, a necessidade enorme, gigante do nosso. Aquilo que fazemos juntos, e as ausências traiçoeiras, e a memória mendiga e apertada, ridícula! Como posso me intrometer no teu conforto amigo? Saber e querer e despejar e possuir quando posso tão pouco! Quando podes tão pouco! Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2022 – Torres ( um pouco de sol, mas logo sombrio outra vez, e tão frio! Gelado inverno de consciência!

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