sem armas

sem ânimo, sem armas, sem vontade, na despedida, entregue…

“Pois se é temerário entrar sem armas na toca do leão, temerário cruzar o Atlântico num barco a remo, temerário se equilibrar num pé só no alto da Catedral de St. Paul, é ainda mais temerário ir para casa sozinha com um poeta. Um poeta é o Atlântico e o leão reunidos num único ente. Enquanto um nos faz afundar, o outro nos abocanha. Se sobrevivemos aos dentes sucumbimos a maré alta. As ilusões são para a alma o que a atmosfera é para a terra. Recolham essa tênue camada de ar e a planta morre, a cor se desbota. A terra sobre a qual caminhamos é cinza estéril. O cascalho a que pisamos e carvões em brasa o que nos queima os pés. Pela verdade nos perdemos. A vida é um sonho. É o despertar que nos mata. Quem nos tira os sonhos nos tira a vida…(p.134) Virgínia Woolf – Orlando

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