fio de cabelo

descabelada, impossível organizar os fios

impossível

não acredito mais em mim, nem na coragem, nem em fazer

impossível!

eu me arrrasto

ainda abro as janelas se faz sol / ainda abro as cortinas, e, vez que outra, tiro a poeira da cabeceira

exaspero

desespero com a poeira, com a bateção, com a loucura

obra pode ser o grau maior do desespero: assisto

ah! aquele banheiro me esgotou / a cada dia cinco anos / e agora?

vamos a detestar cada pedacinho ,

se eu pudesse sair / se os recursos fossem menos apertados, se eu conseguisse…

importa?

quando já não importa, o perigo ilumina tudo, Empurro alguma coisa…

Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022

Pode ser Torres

respirações

não são todas iguais, são cortadas, e sem falar, elas conversam, se entendem?

eu me atrapalho para escrever, a lógica foi passear, e ando concentrada nas sensações de querer resolver umas amorosidades desarrumadas e umas vozes esquisitas, algumas estão alinhavadas.

misturo tudo com envelhecer, não encontro doçura, mas encontro um azedo ríspido, e arredio, coisas definidas e cansadas, vontade de sair e comprar belez, trazer as vitrines para casa / substituir…

o cansaço não me deixa ordenar, limpar, listar, ouvir música, cantar, mas a passarinhada se esbalda em cantoria para mim, ah! faça sol ou faça chuva eles se amontoam e e se sacodem e conversam… sim, nos deveríamos o amontoar e festejar, dividir o pão, bebericar juntos, cavar os canteiros pra trazer flores… somos tão apenas do café e do chá. sem árvores, sem gramados, sem medo… que saudade eu tenho de umas coisas que não sei, filhos pequenos a me rodear, pressa, eu tinha pressa e fazia tanta coisa em pouco tempo… agora esta lentidão preguiçosa e sem vozes. Elizabeth M.B. Mattos – novebro de 2022 – Torres

se a beleza estivesse bem animada eu compraria um vestido novo, pintaria as unhas de vermelho, e comeria devagar as batatas cozidas temperadas com salsa, e as ameandoas assadas, ah! que delícia a carne rosada!

o fio e o caminho

o sorriso do tempo, as gargalhadas do arvoredo, e a certeza desta ventania varrendo o que não presta/ o que não serve, e o sol a segurar…, a segurar… tão bom viver assim d e v a g a r. Arrastada pelo teu sonho, porque teu sonho é nebuloso e cheio de estrelas inexploradas, ah! te amar é muito bom! Elizabet M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres com luz.

sinos

se todos os campanários soassem / batessem ao mesmo tempo para dizerem do susto e do amor

nós saberíamos que a sombra está passando, passando, mas vai terminar de passar…

teremos outros tempos, outros corações

agora, neste momento que o céu se derrama de chuva, tanta chuva, o que se sabe é que as lágrimas estão descendo!

chorar faz bem, toda a ãgua do corpo muda e nós temos a visão! o novo sentimento

se todos os campanrios do mundo tocasse ao mesmo tempo,

teríamos esperanças!

se

Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres

onde

onde tua imagem / ou o teu retrato /nas coisas que amo? onde a tua voz ou a tua presença / na voz deste dia? / aqui onde habito / há o sol apique / o mar descoberto / a noite redonda / o instante infinito (p.151)

Sophia de Mello Breyer Andresen [coral e outros poemas]

sério

as pessoas se propõem a dizer coisas sérias / se pensam sérias, comprometidas, mas não são… fazem um jogo pesado, sério?, Apostam tantas coisas, mas, sabem que não querem chegar a lugar nenhum… e, o outro, com quem estão ‘comprometidas’ também sabem isso tudo. então é verdade? Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres

perseguir

perseguir o sonho é dever cumprido /comprido…

perseguir o amor amado, até o inventado…ah! porque a gente inventa mesmo, se agarra e pronto…num fio, e acredita que o outro vai segurar, faz caretas e piruetas, e dança… ele faz que sim, diz não, se esconde, depois manda flores

obrigada

é assim mesmo, então, se espias eu fico toda feliz do lado de cá…

e faço um pastel, vou comprar empadinhas e abro uma cerveja! uauuuu! ontem cortei os cabelos no espelho, vais rir! virei esta piada. Que me gostes! Um beijo. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres, foi aqui que eu ancorei – já sei que engordaste, menos mal, assim nem vais reparar que o vestido tem mil anos…

ah! que vergonha!

a literatura tem Júlia Lopes de Almeida! Machado de Assis, não…, e a gente fica aqui esperneado! é preciso muito, muito mais e tanto! ok. não precisa desistir, mas nada de espavonear, tá?! E.M.B.M. um amontoado de letras não quer dizer nada, ainda bem q se pode falar…

gente bonita faz diferença, desenho, tintas, vozes, música…sim, o piano, o violino, o canto, outra dimensão. escrever é pedreira! céus!

não te afastes de mim

Passa o dia comigo,

Não deixes que te desviem

Um poema emerge tão jovem tão amigo

Que nem sabes desde quando em ti vivia (p.318) Sophia de Mello Breyaer Andresen [coral e outros poemas]

Não te afastes, não me deixes, nãos fales, apenas, meu querido, faça chover, faça trovejar, faça cair jasmins do céu…saberei, meu querido, que me ouves, e, poderei dormir, um dia, dois ou três. Acadordarei para acariciar teu sorriso, olhar deu cheiro e mergulhar inteira nos teus braços, metaformofoseada em beleza, caberei nas tuas mãos e deitarei contigo. Não te afastes, não me deixes! Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres

todas as mágicas, de todas as fotos são o feitiço da ternura,

eu quero ficar, eu quero ficar, na caixa, no silêncio do passado, na pressa eu também fico, depois, um pouco mais no teu abraço, e, devagar, bem devagar, eu coloco o vestido de noiva e te visto, faço rodopiares, faço rires e faço a luz acender… tu és eu, eu sou tu, somos nós todoas brincando em volta do tempo, e….

panquecas

cada vez que vou para a cozinha, num ímpeto de gulodices ou de loucura! fazer as panquecas mágicas: na frigideira resolvo fazer o jantar / almoço / um picnique e beber vinho, às 16 horas, muito bom, bem na hora atravessada de um ardencia….sim, dormi um pouco e sonhei e sonhei. E nos beijamos com gosto de frutas, e de desejos, e logo fomos fazer a massa deleciosa, bateste com a pressa e recisão. Esquentei as frigideiras, preparei as bananas e por que não festejar? que dia mesmo é este?silencioso, respeitoso, calmo, encerra o ano, as brigas, os azedumes. Delícia! Estamos os dois com os aventais com açucar, canela e farinha. e a vontade espalhada pelas duas mesas… O sexo e o beijo e o gosto e as bananas nunca terão idade! Bom que atravessaste as doenças, os medos, e a vergonha e viesses correndo me ver: preciso. Sim, sem regas. Desobedecendo. Como se tívessemos cuzado a Independência com a Hilàrio Ribeiro e do nosso sorriso vieram as panquecas feitas na espaçosa cozinha do 802. Tudo nos pertence. Não é fantastico? O álccol é o lado picante…, as risadas, o empenho. A gulodice desejo. Feliz não tem receita. Nós somos, tu e eu, os aventureros da cozinha fora de hora. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Porto Alegre