inércia

Este estado me parece o melhor de todos e com certeza de maior angústia – seria, inútil? Qualquer coisa esconde o corpo, uma camisa / um saco, já um monstro, ora com cabeça, ora sem, mas nunca faz acontecer… Os monstros de pelúcia empilhados num pega-pega de bichinhos. Deste nada, um dia de sol, de ar, de tempo se estreita e se apaga no sono, cheio de atropelos, a ver / a querer sonhos. Por que existe a doçura que me cuida faço pequenas coisas dirigidas: exigências essenciais de fazer a Ônix reagir aos seus quinze anos esticados. Há que se ter projetos, métodos, coerências. Por que perdi estes detalhes todos e o espírito vaga, indefinido… Sento ao lado da minha amiga Maria Sofia para absorver a paz azul que ela traz no sorriso. Ouço as histórias com o espanto de menina. E como menina, impaciente, pouco gentil, perco as horas. As brincadeiras de correr, pegar, ir aqui e ali me parecem todos essenciais… Eu a deixo no banco da praça a me esperar. Lembro que preciso priorizar, harmonizar e empilhar as vontades. E numero, vou riscando com um lápis o capricho que extrapolo, disfarço até o relógio soar hora de entrar…

Todos as minhas vontades se perdem neste inquieto deslize / fuga / desvio de ouvir, ouvir, ouvir, não concluir. Por que preciso, de fato, realmente, entender às voltas e os trancos quando nada mais será como antes? Apenas o atropelo aflito de saber que embora a razão exija, existe a loucura se adianta… Se ontem eu confiei e entreguei um ramo de jasmins e duas rosas, hoje levaria /levei espinhos sem flores. É aquela decepção que se acomoda no coração. E uma impaciência caprichosa. Por que ser eu quando de fato, na verdade, existo, como/ou sendo um arremedo de vontade sem vontade? Arrumar a mesa. As gavetas, os armários, empilhar os livros, esfregar, polir e lustrar evidencias. O esforço de representar / projetar / querer sem nenhuma, nenhuma vontade… O plano, o esboço, o projeto? Preciso encontrar para conseguir… A camisa de força para segurar a loucura. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2024 – Torres aniversário do Guilherme / e a corda dos aniversários está carregada de enfeites festivos

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