No Admirável Novo Mundo, distrações ininterruptas da mais fascinante natureza são deliberadamente empregadas como instrumentos de governo, com a finalidade de impedir o povo de prestar demasiada às realidades da situação social e política. O mundo da religião é diferente do mundo do entretenimento, mas os dois apresentam semelhanças num ponto: “no fato de não serem deste mundo”. Ambos são divertimentos, e, se usufruímos deles de forma excessivamente contínua, ambos podem tornar-se, segundo MARX,
” o ópio do povo”,
transformando-se assim numa ameaça á liberdade. Só uma pessoa vigilante consegue conservar a liberdade, e apenas os que estão constante e inteligentemente despertos podem alimentar a esperança de se governar a sí próprio eficazmente por meios democráticos.
Em sua propaganda, os ditadores atuais litam-se, na maioria das vezes, à repetição, supressão e racionalização – repetição de estribilhos que pretendem sejam aceitos como verdades, supressão de fatos que eles pretendem sejam ignorados, desencadeamento e racionalização de paixões que podem ser aplicadas nos interesses do partido ou do Estado. (p.56-57) Aldous Huxley ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
SÓ UMA PESSOA VIGILANTE CONSEGUE CONSERVAR A LIBERDADE



pois é / o tempo amassa tudo // mas… mas mas mas ainda se pode reler Aldous Huxley e… pois é, pois é… alguém deve escrever o que importa ler / os livros não pode terminar, digo a leitura, tampouco pessoas que leem… não se trata de estudar, ler, a cada um seu jeito de sentir // necessariamente não entendemos / sentimos a mesma coisa nem lendo Olavo Bilac / um poema de amor. eu digo te amo te agosto te amo, te beijo, eu te abraço, os gestos, a voz, as palavras espalhadas, significam o mesmo… será que atravessam teu jardim e… estamos, mesmo, os dois deitados na grama? as bibliotecas, grandes, ou pequenas, precisam existir //// muitos livros foram queimados, muitos, enterrados… algum leitor escondido seguiu, alguém não deixou terminar. ah! hoje fez sol. é bom.